Trocas de figurinhas: o reinício da tradição em BH

De quatro em quatro anos, a Copa do Mundo é responsável por movimentar milhões de pessoas ao redor do planeta. O espetáculo mais esperado do mundo do futebol terá sua sede na Rússia, em 2018, com abertura marcada para o dia 14 de junho. No Brasil, considerado o país do futebol, os ânimos da população florescem neste ano, com a expectativa da Seleção conquistar o tão sonhado

(Foto: André Tolomelli)

hexacampeonato. Faltando três meses para o início do Mundial, o “aquecimento” já começou entre os torcedores, com o início das vendas dos álbuns e figurinhas oficiais da competição.

Reunir cromos de jogadores, bandeiras, estádios e até mascotes referentes às seleções sempre foi um desafio para o torcedor. A facilidade com que são encontradas figuras repetidas e a dificuldade de obter selos considerados raros constituem a magia de se colecionar um álbum de Copa do Mundo.  Contudo, o objetivo de completar o livro de adesivos ganhou um novo obstáculo em 2018: o preço dos pacotinhos. Com um aumento de 100% em relação ao ano de 2014, a embalagem com cinco figurinhas passou de um real, para dois reais.

Além disso, houve um acréscimo no número de cromos, que passou de 640, para 682. Diante deste cenário, os gastos tendem a crescer, motivando ainda mais a troca de figurinhas entre os colecionadores. Em Belo Horizonte, alguns pontos da cidade tornam-se referência para os torcedores, que se organizam para negociar os adesivos futebolísticos.

Felipe Brandão, estudante de 19 anos, completou todos os três álbuns desde que começou a colecionar, em 2006. Admite a dificuldade em virtude dos valores, mas considera a importância dos locais de trocas. “Com o aumento de preços, os pontos de trocas se tornam cada vez mais fundamentais, principalmente com a crise que o país está vivendo, então é preciso achar meios de baratear a coleção”, conta.

PONTO TRADICIONAL

Em ano de Copa, um dos lugares mais visitados pelos amantes de futebol é o Parque Jornalista Eduardo Couri, conhecido popularmente como Barragem Santa Lúcia. A área de lazer, localizada na região Centro-Sul da capital, transforma-se em ponto de encontro de crianças, jovens e adultos que se reúnem para negociar figurinhas.

(Foto: Marcos Vinicius Borges)

A maior concentração acontece em frente à banca localizada na Praça República do Líbano, posicionada nas proximidades do parque. Tradicional desde os anos 90, o local atrai dezenas de colecionadores, principalmente nas manhãs de sábado e domingo.

Além da negociação, a reunião de pessoas cria um ambiente propício para a criação de novas amizades, como afirma Marcos Vinicius Borges, estudante e morador do bairro há 20 anos: “Muita gente faz amizade lá. Vem gente de todos os bairros que você imaginar pra trocar figurinhas na banca. O ambiente ali sempre foi muito agradável’’.

Entretanto, com o passar dos anos, houve uma diminuição no movimento da praça, ocasionada pelo abandono da tradição de passar as manhãs dos finais de semana trocando figurinhas. Além disso, o considerável aumento nos preços dos álbuns e dos selos contribuiu para a redução do número de coleções entre os torcedores.

Antigo visitante habitual da Barragem em época de Copa do Mundo, o empresário Guilherme Rodrigues recorda os antigos encontros no local, há 12 anos. “Na época, era muito mais febre as coleções. Galera ia em peso, viravam amigos e tal. Hoje em dia isso diminuiu. A primeira coisa que a pessoa pensa é em postar em rede social”, declara.

Com a ascensão dos meios tecnológicos, surgem os “pontos de trocas online”, constituídos por grupos organizados nas redes sociais, com intuito de promover as negociações de cromos. Leonardo, dono de uma banca na Avenida Bandeirantes há três anos, é organizador de um destes grupos. De acordo com ele, a ideia surgiu a partir de conversas com seus clientes, que afirmaram dificuldades, devido à distância, de se locomoverem até a Barragem Santa Lúcia.

Deixando de lado o tradicional ponto de trocas dos torcedores belo-horizontinos, a elaboração do grupo facilitou a vida dos moradores da região na qual o estabelecimento se encontra. “A maioria das pessoas que estão no grupo mora aqui perto. Portanto, não precisam se deslocar para um lugar tão longe”, afirma o proprietário.