Série do Netflix é alvo de polêmicas; Dilma se pronuncia sobre o assunto

Lançada na semana passada no Netflix, a nova série brasileira “O Mecanismo”, criada pelo cineasta José Padilha, o mesmo criador de “Narcos” e “Tropa de Elite 1 e 2” já deu o que falar. Inspirada  na Operação Lava-Jato, a investigação contra o maior esquema de corrupção no Brasil, a trama apesar de ser baseada em fatos reais faz uma releitura dos acontecimentos e tem seus personagens com nomes fictícios, diferentes dos verdadeiros participantes da operação, mas possuem referências que os ligam à realidade. Com o objetivo de fazer com que as pessoas entendam o significado real de viver em sociedade e a complexidade do assunto tratado, Padilha procura fazer com que todos entendam  o processo  por trás dessa rede de investigações: a ganância do ser humano, e a sede de poder.

Logo após a repercussão da primeira temporada, a Ex Presidente Dilma Rousseff emitiu uma nota em seu site oficial:  “o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula”.  Em resposta ao comentário da Ex Presidente, o cineasta afirma que a série é uma crítica ao sistema como um todo, e não à políticos ou grupos partidários específicos. Além disso, na abertura de cada capítulo é avisado que alguns fatos foram alterados para efeitos dramáticos. Uma das cenas mais criticadas, o personagem Higino, inspirado no ex-presidente Lula, utiliza a expressão “estancar a sangria” em uma conversa com seu advogado, o que fez com que a ex-presidente Dilma também se manifestasse enfatizando as supostas distorções feitas pela produção, pois essa frase na realidade foi dita pelo Senador Romero Jucá.

A estudante Izadora Tavares diz ter se sentido incentivada a entender mais sobre a política do Brasil, ainda mais por estarmos em ano eleitoral. Além disso, se sentiu atraída pelo real significado da operação lava-jato e quando realmente tudo começou. “A produção da série é muito boa, e por ter sido produzida por brasileiros, acho uma forma de valorizar a nossa arte. Muitas vezes damos mais valor ao que é de fora e criticamos as produções nacionais. Também é uma forma de observamos a realidade e tudo o que está acontecendo”, conta.

Em entrevista ao jornal O Globo, o criador da série comenta sobre a repercussão rápida que a série teve desde o lançamento e diz ser “patética” a iniciativa instigada pelos movimentos de esquerda , de uma campanha a favor do boicote das assinaturas do Netflix.

“O assunto abordado na série é muito importante e o diretor e o elenco são muito bons, mas acho que estão sendo tendenciosos demais a ponto de colocar um fato da vida real com modificações na série”, conta o estudante Wagner Almeida. Ele também afirma que existe um pouco de manipulação, e que por esses motivos a série pode perder um pouco de credibilidade.

Apesar das várias críticas, as especulações de uma segunda temporada são muito grandes.

(Foto: Facebook- Netflix)