Sede da Filarmônica de Minas Gerais é referência em acústica no país

Localizada no Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, a Sala Minas Gerais oferece uma ampla infraestrutura cuidadosamente arquitetada e é sede Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Inaugurada em 2015, o local apresenta um projeto arquitetônico que atende às necessidades sonoras exigidas por um concerto musical e configura-se como um espaço de escuta sensível, capaz de ampliar a experiência com a Filarmônica.

Obra dos arquitetos Rafael Yanni e Jô Vasconcellos, o Centro de Cultura Presidente Itamar Franco, localizado no Barro Preto – bairro da região Centro-Sul de Belo Horizonte – abriga, além da sala de concertos, a sede da Rádio Inconfidência e da Rede Minas de Televisão, além de uma ampla praça pública. O propósito é que haja uma correlação entre os espaços, criando um ambiente singular para quem visita. “Nos preocupamos sempre em oferecer ao público uma experiência que envolvesse certo ritual de chegada, espera, descanso e despedida”, conta Rafael Yanni. Entretanto, de acordo com o arquiteto, o ritual se tornará ainda mais completo quando todos os espaços programados para a alimentação estiverem funcionando. No momento, alguns projetos de bistrôs, cafés e bares ainda não saíram do papel.

Quem passa pela região do Barro Preto se vê admirado pelo projeto arquitetônico da Rua Gonçalves Dias. Por fora, é possível perceber a complexidade e beleza do espaço, construído para ser mais um pólo de cultura e ponto turístico da capital mineira. Contudo, os pequenos detalhes existentes na estrutura das salas, pensados e trabalhados minuciosamente por arquitetos e especialistas, surpreendem ainda mais.

Concebida para alcançar padrões internacionais de excelência sonora, a Sala Minas Gerais recebeu toda a técnica de José Augusto Nepomuceno, um dos principais especialistas em acústica do país. Para atender às necessidades acústicas com o mínimo de interferência externa, o espaço musical foi projetado sobre o terreno natural, sem subsolos e isolado de outras estruturas.

(Foto: Oficial/Divulgação)

Fundamentado a partir de estudos sobre a geometria e a volumetria, o próprio local exerce função de instrumento em paralelo aos sons emitidos pelas orquestras. Jacqueline Guimarães, Diretora de Comunicação da Filarmônica, explica que as paredes foram construídas em formato curvado, sem linearidade, com objetivo de controlar o volume interno e gerar difusão acústica. Além disso, barras de madeira com formas diferentes foram espalhadas ao redor da estrutura, visando a primazia em propagação sonora.

A Sala se adapta às exigências de cada concerto, com uso de equipamentos especializados. “Em cima do palco, há um difusor acústico que varia sua altura de acordo com o tamanho da orquestra. Quando temos uma reduzida, ele vai para baixo e, quando a orquestra é maior, ele permanece no teto’’, conta a diretora.

Existem, também, as bandeiras acústicas, semelhantes à cortinas, que são usadas em situações nas quais o público é reduzido. Dessa forma, há um controle da absorção sonora, em que é possível tornar o som mais encorpado, mais alto ou mais baixo. Todas essas tecnologias visam ajustar a reprodução do som para não correr o risco de perder a qualidade, independentemente do espetáculo.

Para maior comodidade, o público tem à sua disposição três opções de serviços de cafés, distribuídos entre os três andares de acesso. A Sala Minas Gerais tem capacidade para 1.463 pessoas e oferece a programação completa da temporada de concertos da Filarmônica no site: www.filarmonica.art.br/concertos/agenda-de-concertos/