Representatividade feminina na política brasileira ainda é fraca

Apesar das mulheres serem maioria no país – 51% da população brasileira -, sua representação política ainda é frágil: dos 81 senadores, somente 13 são mulheres, o que significa 16% dos assentos do Senado. Na Câmara dos Deputados essa porcentagem abaixa para 10,5% – são 54 deputadas num total de 513. Esses números colocam o Brasil na 152ª posição num ranking mundial de representatividade feminina no parlamento, que conta com 193 países.

Por mais que exista uma lei que garante cotas para candidaturas femininas, as estatísticas continuam baixas por diversos motivos. A Lei das Eleições estabelece que cada partido ou coligação deve preencher o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. Porém, muitas vezes os partidos driblam essa lei ao criarem candidaturas fantasmas, isto é, lançam uma candidata a fim de preencher a cota mas ela não recebe fundo partidário nem possui algum tipo de campanha efetiva. Além disso, mulheres no meio político relatam ter dificuldade de se impor por serem tachadas de histéricas, ou sofrerem algum tipo de assédio.

Representatividade na política de Minas Gerais

No estado de Minas Gerais os números não são tão diferentes. Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) de 77 deputados estaduais apenas 6 são mulheres, ou seja, 92,3% da assembléia mineira é composta por homens. A porcentagem é parecida quando se tratando do poder executivo dos municípios: em 2016, 10,85% dos vereadores eleitos no estado foram mulheres, e apenas 7,4% dos municípios elegeram uma prefeita, são 63 de um total de 851. Para se ter ideia, Belo Horizonte nunca teve um prefeito do sexo feminino e nem Minas Gerais uma governadora.

Já no congresso nacional, as representantes mineiras estão ainda mais em baixa. As únicas senadoras que minas já teve foram Júnia Marise, que legislou de 1991 a 1999, e Regina Assumpção, de 1995 a 1999, ao passo que na atual legislatura os três senadores são homens. Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, dos 53 deputados federais mineiros, somente 5 são mulheres.

Curiosidades RA:

  • Atualmente, no mundo, existem apenas 10 mulheres chefes de governo. Isso representa 7,3% de um total de 137.
  • A Ruanda é o país com maior representatividade feminina no congresso, com 63,8% de mulheres no parlamento, seguido pela Bolívia e então Cuba, com 53,1% e 48,9%, respectivamente.
  • Países como Arábia Saudita, Somália, Egito e Rússia, que são conhecidos mundialmente pela opressão à mulher, possuem uma porcentagem maior de mulheres no congresso do que o Brasil.
  • A primeira mulher escolhida para um cargo executivo na América Latina foi Alzira Soriano, prefeita de Lajes, no Rio Grande do Norte, em 1928. Já primeira deputada federal mulher eleita foi Carlota Pereira, por São Paulo, que legislou de 1934 até o golpe de 1937.
  • Somente em 2016 foi feito um banheiro feminino do plenário do senado.
  • Apenas 12% dos municípios brasileiros elegeram uma prefeita em 2016 e em 2014 só foi eleita 1 governadora no país, em Roraima.

Você pode conferir a lista das deputadas estaduais mineiras e seus projetos no site da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e as deputadas federais no site da Câmara dos Deputados. Já o ranking de representatividade feminina nos parlamentos mundiais você encontra aqui.