Ainda em 2016, quase metade da população brasileira não tinha acesso à coleta de esgoto

Um novo estudo do Instituto Trata Brasil, feito com base nas informações mais recentes Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), revelou dados referentes ao saneamento básico no Brasil em 2016, os quais só foram publicados neste ano. Os números indicam avanço no saneamento do país, porém de forma lenta.

A demora na melhoria do saneamento básico no Brasil é prejudicial ao compromisso assumido pelo país com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, assinado em 2015 na Cúpula das Nações Unidas. O país se comprometeu em universalizar o acesso à água potável até 2030 e disponibilizar saneamento básico e higiene adequada para todos.

Veja alguns dados publicados:

  • Até 2016, 35 milhões de brasileiros, o que representa 16,7%, não tinham acesso a água potável.
  • Mais de 100 milhões de pessoas, o que significa quase metade da população brasileira, não tinham acesso à coleta de esgoto. Para lidar com os dejetos eles se utilizavam de medidas alternativas, como fossas ou despejavam diretamente nos rios.
  • Mais da metade do esgoto gerado no país não passou por tratamento em 2016. Isso significa 5,2 bilhões de metros cúbicos sendo despejados diretamente na natureza por ano.
  • 37% da água coletada no Brasil é perdida por meio de vazamentos, roubos e desperdício. Isso resulta num prejuízo de 8 milhões de reais.
  • Nas 100 maiores cidades brasileiras, cerca de 3,5 milhões de pessoas despejam o esgoto de forma inadequada, mesmo tendo acesso à redes coletoras.
  • Dessas mesmas 100 cidades, apenas 10 tratam mais de 80% de seu esgoto. Cinquenta e quatro delas têm menos de 60% do esgoto tratado.
  • Somente em 12, das 100 maiores cidades do país, mais de 99% da população têm acesso à coleta de esgoto. Ao mesmo tempo, 21 cidades não possuem nem mesmo 40% da população com acesso à coleta.
  • Dessas 100 cidades, em 20 toda a população tem acesso à água potável e em 90 esse acesso se estende a mais de 80%.  
  • Em 2013, as capitais brasileiras lançaram 1,2 bilhão de metros cúbicos de esgoto na natureza.

O estudo também demonstra a desigualdade entre as regiões do país:

  • O Sudeste possui 91,24% de atendimento total de água, enquanto o Norte apresenta índice de 55,37%.
  • O Centro-Oeste é a região que possui maior índice de esgoto tratado: 52,62%. No Nordeste somente 36,22% do esgoto é tratado, enquanto no Norte esse número cai para 18,3%.
  • Ao passo que no Sudeste o índice de atendimento total de esgoto coletado é de quase 80%, no Norte esse índice é de 10,45% e no Nordeste de 26,79%.

Saneamento básico em Minas Gerais

  • Num ranking com as 100 maiores cidades do país, baseado nos indicadores de saneamento básico, a cidade mineira Uberlândia ficou em 3º lugar, seguida por Uberaba, em 10º lugar. Belo Horizonte ficou em 30º.
  • Dos 853 municípios mineiros, apenas 231, o que representa 27% deles, concluiu o Plano Municipal de Saneamento Básico, estipulado pelo Governo Federal. Isso significa que a população dessas cidades fica exposta a perigos como esgotos e lixões à céu aberto.
  • A bacia Rio Doce é a mais fragilizada por poluição no estado. Apenas 10 dos 102 municípios da área tratam o esgoto antes de lançá-lo nos mananciais.
  • A maior cidade da bacia, Governador Valadares, despeja todo o esgoto coletado nas mananciais que acabam no Rio Doce. O mesmo ocorre em Caratinga.