PT responde relatos de Miriam Leitão sobre agressão

Foto: TV Globo/Reprodução

A jornalista Miriam Leitão, comentarista de economia da Rede Globo, afirmou ter sofrido agressões verbais por delegados do PT, durante um vôo que saiu de Brasília rumo ao Rio de Janeiro. O relato dos acontecimentos foi publicado em sua coluna no jornal O GLOBO. Miriam identificou os agressores como militantes do PT, pois vestiam camisas do partido político.

A jornalista relatou que as ofensas começaram antes mesmo de entrar no avião: “Antes de chegar ao portão, fui comprar água e ouvi gritos do outro lado. Olhei instintivamente e vi que um grupo me dirigia ofensas. O barulho parou em seguida, e achei que embarcariam em outro vôo “.

As poltronas dos militantes eram próximas a ela, cerca de 20 pessoas começaram as agressões verbais, quando se dirigiam a seus acentos. “Por coincidência estavam todos, talvez uns 20, em cadeiras próximas de mim. Alguns a minha frente, outros do lado, outros atrás. Alguns mais silenciosos dirigiam olhares de ódio ou risos debochados, ou lançavam ofensas”. Em sua coluna, Miriam atribuiu as agressões sofridas à visão distorcida que aquelas pessoas tinham do seu trabalho.

Não sou inimiga do partido, não torci pela crise. Alertei que ela ocorreria pelos erros que estavam sendo cometidos. Quando os governos do PT acertaram, fiz avaliações positivas e há vários registros disso”, afirmou a jornalista.

Miriam também falou sobre a reação dos funcionários da empresa aérea Avianca. Uma comissária de bordo, a mando do comandante do avião, sugeriu a ela que trocasse de lugar, o que foi recusado pela jornalista. Em certo momento, a comissária retornou com uma ordem da Polícia Federal, avisando que se Miriam não trocasse de lugar o avião não decolaria. “Diga a Polícia Federal que enfrentei a ditadura. Não tenho medo. De nada”.

Na tarde desta sexta feira, o Partido dos Trabalhadores enviou uma nota, repudiando o constrangimento passado pela jornalista: confira na íntegra:

“NOTA OFICIAL

O Partido dos Trabalhadores lamenta o constrangimento sofrido pela jornalista Miriam Leitão no voo entre Brasília e o Rio de Janeiro no último dia 3 de junho, conforme relatado por ela em sua coluna de hoje. Orientamos nossa militância a não realizar manifestações políticas em locais impróprios e a não agredir qualquer pessoa por suas posições políticas, ideológicas ou por qualquer outro motivo, como confundi-las com as empresas para as quais trabalhem.

Entendemos que esse comportamento não agrega nada ao debate democrático. Destacamos ainda que muitos integrantes do Partido dos Trabalhadores, inclusive esta senadora, já foram vítimas de semelhante agressão dentro de aviões, aeroportos e em outros locais públicos.

Não podemos, entretanto, deixar de ressaltar que a Rede Globo, empresa para a qual trabalha a jornalista Miriam Leitão, é, em grande medida, responsável pelo clima de radicalização e até de ódio por que passa o Brasil, e em nada tem contribuído para amenizar esse clima do qual é partícipe. O PT não fará com a Globo o que a Globo faz com o PT.

Senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores.”


Confira também a entrevista que a senadora Gleisi Hoffmann concedeu para o Roteiro Alternativo, aqui.


 

 

 

 

 

 

 

Guilherme Lorran

É estudante de Relações Públicas. No Roteiro Alternativo, atua como repórter.