Previsão meteorológica lida com o caos da atmosfera

“Há duas ou três décadas já se sabe que o nosso sistema atmosférico é caótico”, diz o professor Augusto José Pereira Filho

Quem, ao menos uma vez na vida, não xingou o meteorologista de plantão depois de ouvir uma previsão do tempo que acabou se mostrando incorreta? Pois é, para muitas pessoas, os erros dos “homens ou das mulheres do tempo” são maiores do que os acertos. Mas essa percepção é mesmo correta? O professor Augusto JoséPereira Filho, do Departamento de Ciências Atmosféricas da USP, garante que não. Diz ele que as coisas têm mudado bastante, graças à evolução da meteorologia nas últimas décadas, motivada pelo aperfeiçoamento dos sistemas de sensoreamento (satélites, radares e equipamentos mais acurados) e pelos avanços  dos processamentos computacionais.


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“Então, a previsão do tempo hoje, de um dia para outro, tem um nível de acerto muito alto,mas há aspectos que ainda não são muito bem previstos, em particular aqueles que chamamos de escala local, que dependem de informações muito específicas e que não estão à disposição”, explica. É preciso saber também que a meteorologia é uma atividade cooperativa, pois “todos os países têm sistemas de medição das variáveis meteorológicas, como temperatura, umidade do ar, vento, variação solar, precipitação”. Esses dados são enviados para centros de previsão  mundial, nos EUA e Inglaterra, e inseridos em modelos que representam o sistema como um todo. A partir de uma previsão globalizada, os países usam essas informações para afiná-las com seus modelos regionais.

As previsões assim geradas são utilizadas pela mídia, por órgãos governamentais, pela iniciativa privada, encontrando aplicações em recursos hídricos, saúde pública, proteção ambiental, agricultura etc. Estamos falando de uma “atividade extensa e complexa, que demanda um conhecimento bastante profundo do sistema e das plataformas de monitoramento”. Torna-se claro, portanto, que a tecnologia e a inovação contribuem em muito para o desenvolvimento da meteorologia, mas, ainda assim, fazer o monitoramento do tempo e do espaço na atmosfera depende de variáveis como oceanos, continentes, geleiras – enfim, da biosfera como um todo.

Com a colaboração do Jornal USP

Maria Eduarda Faria

É estudante de Jornalismo. É repórter e coordenadora de mídias sociais do Roteiro Alternativo.