Parada do Orgulho LGBT: 20 anos de militância

Junho é considerado o Mês do Orgulho LGBT, e nessa época, milhares de pessoas saem às ruas em apoio à causa. Há 20 anos, 2 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista e fizeram a 1ª Parada do Orgulho LGT. Naquela época, ainda não havia uma sigla definida para os movimentos sociais da diversidade. Fundada em 1999, a ONG Associação da Parada do Orgulho GLBT (APOGLBT), atual organizadora do evento, alterou a sigla para GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transsexuais). Em 2008, a ONG, para promover maior visibilidade às mulheres homossexuais, decidiu alterar novamente para LGBT.

Em entrevista para o El País, Nelson Matias, cofundador da parada, contou como foi dar o primeiro passo da militância: “Foi histórico. Rompemos definitivamente com o silêncio. Saímos do gueto e ocupamos a avenida mais simbólica da cidade. A partir dali, a gente disse à sociedade que existíamos e ocupamos um espaço”. O tema da primeira edição da parada, foi: “Somos muitos, estamos em todos os lugares e em todas as profissões”.

Fonte: APOGLBT

Em 20 anos de história, mudanças significativas ocorreram. De um pequeno carro de som, a parada passou a contar com grandes trios elétricos e patrocinadores. Atualmente, a marcha reúne milhões de pessoas na capital paulista. Em 2006, segundo a Polícia Militar, a parada contou com 2,5 milhões de pessoas, dado que entrou para o Guiness Book – o livro dos recordes. O evento movimenta mais de 100 milhões na economia do estado de São Paulo.


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Apesar de, inicialmente, ter sido inspirada nos movimentos americanos e europeus, a Parada do Orgulho LGBT, no Brasil, tem um formato diferente. “Aqui tudo é misturado, em outros lugares como nos Estados Unidos, ela é mais segmentada, e também as pessoas vão assistir ao desfile, há uma separação. Aqui é uma festa, todo mundo junto”, conta Matias.

O sucesso da marcha brasileira é mundial. Em 2015, o elenco da série original da Netflix, Orange Is The New Black, participou da parada. E já no ano passado, foi palco para Sense8, outra série da plataforma.

Segundo o cofundador, ao longo dos anos, a Parada LGBT abraça, cada vez mais, a diversidade. “Ela deixou de ser elitista e acabou virando um evento da cidade. As pessoas se preparam para ir, seja gay ou hétero, é muito plural. Tem o gay da periferia e os do Jardins (bairro nobre de São Paulo), muitas mulheres, todas as tribos juntas”.

Arquivo Pessoal

Alexa Simon

É estudante de Jornalismo. No Roteiro Alternativo é responsável pela produção de conteúdo e manutenção do site.