Palácio das Artes renomeia sala e faz homenagem à Pedro Moraleida

Inaugurada em fevereiro de 2017, a Galeria do Palácio das Artes foi renomeada, pela Fundação Clóvis Salgado, para PQNA Galeria Pedro Moraleida. O evento foi realizado na quinta feira 22 de março e contou com a presença do presidente da fundação, Augusto Nunes-Filho e do secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo, além dos pais de Pedro Moraleida e artistas que já tiveram suas obras expostas na galeria.

A homenagem ao artista falecido trouxe a tona a polêmica ocorrida em setembro do ano passado, quando a galeria expôs uma mostra de obras do artista, intitulada “Faça Você Mesmo Sua Capela Sistina”. Com caráter iconoclasta, as obras refletiam a dualidade entre sexo e religião, e foram acusadas de serem ofensivas e de promoverem a “pedofilía e blasfêmia”. Além de ter movido protestos nas redes sociais, na época um grupo de 30 pessoas se reuniram em frente ao Palácio das Artes exigindo o cancelamento da exposição.

Apesar das manifestações, as obras de Pedro Moraleida atraíram, no seu primeiro mês de exposição no Palácio das Artes, um público de cerca de 6 mil pessoas. O cantor Caetano Veloso visitou a exposição e criticou os políticos que, segundo ele, estão querendo “enganar o povo” e “chamar atenção”. Além do cantor, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, também visitou o museu e defendeu a liberdade de expressão em espaços dedicados à arte.

Quem é Pedro Moraleida?

Nascido em 1977, em Belo Horizonte, Pedro Moraleida é considerado um dos artistas mais expressivos de sua geração. Ainda adolescente, Pedro fazia desenhos relacionados a histórias em quadrinhos. Suas obras eram críticas e costumavam ironizar assuntos como poder, sexualidade e religião. Uma de suas séries, intitulada “Presidentes americanos e líderes comunistas vendem anúncios pornográficos”, aparece os líderes políticos internacionais Mao Tsé Tung, Fidel Castro, George Washington, Abraham Lincoln e John Kennedy com suas partes íntimas expostas. Acima estão escritas frases de apelo pornográfico, satirizando-os. Antes de falecer, aos 22 anos, ele chegou a estudar Belas Artes na UFMG e deixou um acervo de cerca de 1450 desenhos, 450 pinturas e 250 textos.