O Ministério do Turismo pouco faz pelo setor – afirmam especialistas

Raras vezes nas manchetes, o Ministério do Turismo conseguiu ser notícia ao divulgar a liberação de vistos para nacionais de quatro países e a possibilidade de investimento estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras, que passaria de 20% para 100%. A alegria das notícias não durou muito, uma vez que a participação do capital estrangeiro vai ser submetida ao Congresso na forma de projeto de lei e a isenção de vistos foi transformada em visto eletrônico.

Criado em 2003, o Ministério do Turismo já passou por 15 mandatos distintos, ocupados por 10 diferentes políticos, todos sem relação com a área. Atualmente, é o penúltimo ministério na ordem de volume orçamentário. E ainda teve um corte de quase 70% nas verbas para 2017. Algo inimaginável para um país que sediou, em intervalo de 24 meses, os dois maiores eventos esportivos do mundo.

Escolha de beneficiados pela Lei de Rouanet ignora projetos experimentais

Pesquisadores de turismo de todo o mundo se interessaram pelos reflexos destes eventos, acreditando que os efeitos dos eventos alterariam a imagem da área junto aos gestores públicos. Richard Butler, professor emérito de turismo e um dos poucos pesquisadores laureados com o Ulysses Award, honraria outorgada pela Organização Mundial do Turismo a pesquisadores com obras relevantes para a área, é um deles, e por sua solicitação, foi incluído um capítulo sobre a gestão pública do turismo no Brasil em seu mais recente livro – TOURISM AND POLITICAL CHANGE, editado e publicado no Reino Unido pela GoodFellow Publishers Ltd, em abril.

A pesquisadora e professora da USP, Mariana Aldrigui, foi a autora do capítulo em questão, sob o título “Turismo à Margem da Política”. Nele, ela explica o contexto da criação do Ministério do Turismo, discutindo sua baixa expressividade política, e comenta as ações de pouca efetividade em termos econômicos para um país sede de grandes eventos e com tanta presença em mídia internacional. Por exemplo, mesmo com todas as condições favoráveis, nenhuma das metas originais do MTur foram atingidas. Mais recentemente, as projeções feitas para o ano 2020 foram divulgadas, e são tão ambiciosas quanto inatingíveis.

 


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Ela conclui dizendo que o turismo brasileiro acontece independentemente da intervenção pública, especialmente a de nível federal, e completa: “Se os gestores públicos ao menos compreendessem o que é a atividade e como ela impacta a economia dos diferentes destinos, já teríamos um grande avanço”.

Quer sabe mais sobre este assunto? Leia o Livro: Tourism and Political Change – Richard Butler & Wantanee Suntikul (orgs) – Goodfellow Publishers Ltd – UK – Lançamento em abril de 2017

 

Thomaz Albano

Thomaz Albano é estudante de Jornalismo e membro fundador do Roteiro Alternativo. Aqui no RA atua como repórter, editor e integra a diretoria executiva.