Números apontam desigualdade racial no Brasil após 130 anos da abolição da escravatura

No último dia 13 de maio comemorou-se 130 anos da abolição da escravatura no Brasil. O país foi o último do ocidente a abolir a escravidão, e enfrenta, até hoje, consequências dos mais de 3 séculos de trabalho forçado aos negros.

O número de brasileiros que se declaram pretos, de acordo com um estudo feito pelo IBGE, subiu para 17,8 milhões de pessoas no último ano. Essa tendência tem sido reforçada desde 2015, quando os brancos deixaram de ser maioria declarada no país. Desde de então, 46,8% da população se considera parda. Em Minas Gerais, enquanto 8,5 milhões de pessoas se declaram brancas, 12,48 milhões são autodeclaradas pretas ou pardas.

Em contrapartida, pesquisas mostram que, no Brasil, homens e mulheres negros são os que mais sofrem com a violência, cárcere, baixa renda e falta de representatividade. Veja os números:

Renda

  • De acordo com a Pnad Contínua, pesquisa feita pelo IBGE e divulgada em abril deste ano, o rendimento médio mensal das pessoas brancas no ano passado foi de R$2.814. Entretanto, os dados mostram que os pardos receberam 57% desse valor, e os pretos 55,8%, representando, respectivamente, R$1606 e R$1570 por mês.
  • Entre as mulheres, as brancas apresentaram rendimentos quase 30% superiores à média nacional, enquanto as pardas e pretas receberam rendimentos 26,3% e 27,9% inferiores a essa média, respectivamente.
  • Segundo uma pesquisa do IBGE feita em 2014, o número de pessoas negras entre a parcela mais pobre do país é de 76%.
  • Em Minas Gerais, no ano passado, os trabalhadores negros receberam cerca de R$ 1 mil a menos do que os trabalhadores brancos.

Violência

  • De acordo com dirigentes das Nações Unidas, cinco jovens negros morrem a cada duas horas no país. Por ano, o número chega a 23 mil.
  • Conforme informações do Atlas da Violência 2017, feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na parcela dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, a maioria (cerca de 79%) é negra.
  • Ainda segundo o Atlas, os negros possuem 23,5% mais chances de serem assassinados em relação a outros brasileiros.
  • O Atlas também mostra que, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras.
  • O Brasil possui a quarta maior população prisional do mundo, e cerca de 61,6% dela é composta por pretos e pardos, de acordo com Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).
  • Quando se tratando apenas de mulheres, o Mapa da Violência de 2015 mostrou que, entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu em 54%, enquanto o de mulheres brancas caiu em 10%.
  • Segundo informações da Central de Atendimento à Mulher, em 2015, mais da metade das mulheres que sofreram violência doméstica eram negras.
  • Negras também representam mais de 65% das mulheres vítimas de violência obstétrica e 53% da mortalidade materna, conforme dados do Ministério da Saúde.

Representatividade

  • De acordo com uma pesquisa da Universidade de Brasília (UNB), dos livros publicados entre 1965 a 2014, somente 10% foram escritos por autores negros.
  • A mesma pesquisa mostra que cerca de 80% dos protagonistas da literatura brasileira são brancos.