Nova pesquisa do IBGE revela a desigualdade de renda no país

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no último dia 11, uma pesquisa sobre o rendimento médio do brasileiro com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). Foram considerados para o estudo todos os tipos de fontes de renda da população, como salário, pensão, aposentadoria e programas sociais, como a Bolsa Família.

A pesquisa mostra que aproximadamente 60% da população, o que equivale a 124,6 milhões de pessoas, tinham algum tipo de rendimento em 2017. Em média, a soma desses rendimentos foi de R$263,1 bilhões por mês. No entanto, a população em geral perdeu cerca de R$12 no rendimento mensal em comparação a 2016, e o rendimento proveniente do trabalho caiu R$31, o que significa uma redução de 1,36%.

Ainda de acordo com a Pnad, a renda média da metade mais pobre da população caiu 2,5%, mesmo que a economia tenha crescido em 1% no ano passado, após 2 anos de recessão. Os números também demonstram a concentração de renda no Brasil: 43,3% da renda está restrita a apenas 10% da população. Já a parte dos 10% mais pobres do país detêm menos de 1 centésimo dessa renda.

Além disso, a pesquisa revelou que, do total de trabalhadores, por volta de 4,4 milhões (5%) recebiam somente cerca de R$47 mensais. Enquanto isso, o 1% mais rico da população recebe, em média, R$27,213 por mês, o que significa aproximadamente 36 vezes mais do que a metade da população que detêm os menores rendimentos.

Quando se tratando de quem recebe auxílios do governo, o percentual de domicílios que contavam com o Programa Bolsa Família para compor o rendimento familiar caiu de 14,3% para 13,7%. Segundo a pesquisa, o rendimento médio mensal das famílias que recebiam o auxílio em 2017 foi de R$324.

(Divulgação/Agência Brasil)

A desigualdade de renda também evidente entre as regiões do país. A região Sul foi a que apresentou menor concentração de renda: o 1% mais rico ganhava cerca de 25 vezes mais do que o total recebido pelos mais pobres. Já no Nordeste, a parcela mais rica ganhava por volta de 44,9 vezes mais do que a parcela mais pobre. O estudo também mostrou que, a metade da população com menor rendimento do Sul recebia, em média, R$974 a mais do que o dobro do valor recebido pela metade mais pobre do Nordeste.

A concentração de renda no país como um todo, no entanto, não teve uma mudança significativa em relação a 2016, e, portanto, o índice de Gini se manteve 0,549. O índice de Gini é um indicador mundial que mostra o nível de desigualdade de renda de um país. Ele varia de 0 a 1, sendo quanto mais próximo de 1, mais desigual.

Desigualdade de cor, gênero e escolaridade

A pesquisa demonstrou também a desigualdade salarial entre homens e mulheres: a média mensal de rendimento dos homens no Brasil foi de R$2,410, enquanto a das mulheres foi de R$1,868. Isso significa que as mulheres do país recebem de apenas 77,5% do que recebem os homens.

A respeito de cor e raça, o rendimento médio mensal das pessoas brancas no ano passado foi de R$2.814. Os dados do IBGE mostram que os pardos receberam 57% desse valor, e os pretos 55,8%, representando, respectivamente, R$1606 e R$1570 por mês. Entre as mulheres, as brancas apresentaram rendimentos quase 30% superiores à média nacional, enquanto as pardas e pretas receberam rendimentos 26,3% e 27,9% inferiores a essa média, respectivamente.

Quanto à escolaridade, as pessoas que possuíam ensino superior completo registraram o triplo de renda daqueles que tinham somente o ensino médio completo e rendimento aproximadamente 6 vezes maior do que aqueles sem instrução.

Números em Minas Gerais

A Pnad também mostrou números referentes ao rendimento da população de Minas Gerais. Os dados mostram que dos aproximadamente 21 milhões de habitantes do estado, 61,7% recebiam algum tipo de renda. A renda média vinda do trabalho era de R$1.970, enquanto a de outras fontes era de R$1.484.

Já quando se tratando de diferenças de gênero, das pessoas que estavam empregadas em 2017, 57,1% eram homens e 42,9% eram mulheres. A pesquisa mostra, além disso, que enquanto os homens receberam, em média mensal, R$2.098, as mulheres receberam R$1.609. Isso significa que eles receberam quase R$500 a mais do que elas no estado.

Por fim, a pesquisa também mostra que, no último ano, os trabalhadores negros receberam cerca de R$ 1 mil a menos do que os trabalhadores brancos. Também, aqueles que possuíam curso superior completo receberam por volta de 5 vezes mais do que aqueles sem formação escolar e 2,5 vezes mais do que quem possuia apenas ensino médio completo.