‘Não pode jogar se for gay? Deixa de ser bom profissional?’

Mesmo sem nunca ter assumido ou falado sobre sua sexualidade, Richarlyson é alvo de homofobia. O jogador que passou por clubes como São Paulo e Atlético Mineiro, é hostilizado pelas torcidas de futebol, seja no próprio clube ou por adversários.

Recentemente, foi anunciada a contratação do atleta pelo Guarani, de Campinas, e a reação dos torcedores foi lamentável. Richarlyson foi alvo de protesto: dois homens jogaram bombas próximo ao estádio do clube, sem contar as reações de alguns torcedores nas redes sociais. Não foi comprovado se foi caso de homofobia, e o jogador comentou sobre o episódio: ”(…) Pode até ter sido, eu não estou falando que pode não ter sido, mas ninguém sabe se era isso. Às vezes foi uma manifestação porque não queria que me contratasse e acabou.”

Richarlyson em entrevista à Rede TV (Foto: Twitter)

Em entrevista à Rede TV, Richarlyson fez um desabafo e levantou um questionamento importante: ”O que me deixa intrigado sobre essa questão de manifestações homofóbicas dentro do futebol é que quer dizer que se o cara for gay, ele não pode jogar? Por que não pode jogar? É isso que eu não consigo entender”, declarou.

 

O jogador ainda falou sobre sua passagem alguns clubes e comentou que quando jogava pelo São Paulo, parte da torcida não gritava seu nome antes do jogo, em sinal de apoio como fazia com o resto da equipe. Somente no Atlético, Richarlyson conta que não passou por nenhuma situação do tipo – no Galo, ele foi campeão da Copa Libertadores, em 2013-.

(Foto: Bruno Cantini/ Atl. MG)
(Foto: Wagner Meier/AGIF)

 

 

 

 

 

 

 

 

“Eu não me magoo, eu tenho dó dessas pessoas. Vamos partir do princípio que a situação seja sobre o homossexualismo. Quer dizer que no futebol não pode haver o homossexual? E por causa disso ele deixa de ser um grande profissional?”, completa o jogador.

 


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Mariana Spinelli

É estudante de Jornalismo e membro da diretoria executiva do Roteiro Alternativo. Atua como repórter, produtora e editora.