Moro afirma que Cunha recebeu vantagem indevida durante mandato

Eduardo Cunha embarca para Curitiba após ser preso  (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

 

Na manhã do último dia 30, o juiz federal Sérgio Moro condenou o ex presidente da câmara Eduardo Cunha a 15 anos e quatro meses de prisão por crimes de corrupção. Cunha está preso preventivamente desde 19 de outubro no complexo médico – penal de pinhais, região metropolitana de Curitiba. Esta foi sua primeira condenação na Lava Jato. Cunha se defendeu de três acusações, sendo absolvido em outras duas.

Na denúncia, o Ministério Público Federal (MPF) acusou Cunha de receber propinas na compra do campo petrolífero de Benin, na África. O juiz federal, em sua sentença, citou o papel de importância ética de um deputado e reprovou, de forma veemente, a atitude de Eduardo Cunha por se tratar de um cargo de confiança do povo.

“O condenado recebeu vantagem indevida no exercício do mandato de Deputado Federal, em 2011. A responsabilidade de um parlamentar federal é enorme e, por conseguinte, também a sua culpabilidade quando pratica crimes. Não pode haver ofensa mais grave do que a daquele que trai o mandato parlamentar e a sagrada confiança que o povo nele deposita para obter ganho próprio. Agiu, portanto, com culpabilidade extremada, o que também deve ser valorado negativamente”, afirmou Moro.

A defesa do deputado cassado, após o julgamento, questionou a parcialidade com que o juiz federal conduziu o processo e informou que irá recorrer no caso. Em sua entrevista, o advogado Ticiano Figueiredo (um dos advogados de Eduardo Cunha) se mostrou contrário às prisões preventivas impostas por Sergio Moro e se mostrou perplexo com a velocidade em que a sentença foi dada. Confira a declaração de Ticiano:

“A defesa protocolou as alegações finais no início da noite de segunda-feira [27]. Causa perplexidade a velocidade com que a sentença foi proferida, o que nos leva a duas conclusões: a peça da defesa, para o juiz, foi mera formalidade, eis que, muito provavelmente sua excelência já tinha, no mínimo, uma minuta de decisão elaborada; e, mais uma vez, tenta evitar que o STF julgue a ilegalidade das prisões provisórias por ele decretada. Isso é lamentável e demonstra a forma parcial que aquele juízo julgou a causa”.

Após o julgamento, Eduardo Cunha soltou uma nota para a imprensa dizendo que suas prisões preventivas foram “absurdas” e que seus advogados tomarão as medidas cabíveis. Para o juiz Sergio Moro, manter Eduardo Cunha em liberdade representa um risco para o processo e a ordem pública. Além disso, alguns procuradores dizem que há a possibilidade concreta de fuga do ex presidente da Câmara, devido à possibilidade da existência de recursos ocultos no exterior.

 

 

 

 

 

 

 

 

Guilherme Lorran

É estudante de Relações Públicas. No Roteiro Alternativo, atua como repórter.