Modo de vida camponês ainda resiste entre pequenos agricultores

Pesquisadora estudou a rotina de famílias camponesas que vivem no município de Ribeirão Branco, SP, um dos principais produtores de tomate do País – Foto: José Reynaldo da Fonseca/Wikimedia Commons

Embora o agronegócio seja a nova face da agricultura, os camponeses resistem aos avanços tecnológicos no campo e se encontram plenamente ativos em algumas regiões brasileiras. Para compreender o modo de vida dessas pessoas e analisar aspectos que entremeiam a produção de alimentos que fogem às relações capitalistas, uma pesquisa da USP deu voz às famílias de agricultores que vivem em sítios no município de Ribeirão Branco, São Paulo, umas das principais regiões produtoras de tomate do País.

A motivação para o estudo veio das memórias da socióloga e autora da pesquisa, Lucinei Paes de Lima, que passou boa parte da infância e da adolescência na propriedade da família no interior paulista, onde frequentemente ia à roça junto com as irmãs e seus pais para trabalhar a terra. Na época, plantavam feijão, arroz, milho, cebola, vagem, ervilha e tomate, além de manterem uma pequena horta, um pomar com frutas e pequenos animais: porcos, galinhas e uma vaca para obter leite e fazer queijo para o consumo da família.


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A principal conclusão a que Lucinei chegou foi que eles eram um grupo social bastante pujante e tinham uma significativa participação no desenvolvimento do País. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em 2009, do total de cerca de 5 milhões de estabelecimentos existentes no País, 4,3 milhões eram de agricultura familiar (84%) e 807 mil (16%), patronal. Os pequenos ocupavam 12,3 milhões de pessoas (74%) e os grandes, 4,2 milhões (26%).

Como grupo social, o campesinato possui um estilo de vida próprio. São autônomos, cooperadores entre seus membros e possuem uma relação completamente diferente com a agricultura, que vai além dos valores econômicos. Em algumas unidades familiares, os alimentos são produzidos principalmente para garantir a sobrevivência do próprio agricultor, de sua família e da comunidade em que está inserido.

Via agência USP

Thomaz Albano

Thomaz Albano é estudante de Jornalismo e membro fundador do Roteiro Alternativo. Aqui no RA atua como repórter, editor e integra a diretoria executiva.