Minas lidera ranking de feminicídio e casos de agressão contra mulher continuam frequentes

Foto: Arquivo/Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Na década de 1980, casos de feminicídio em especial Minas Gerais chocaram o Brasil. No dia 25 de julho de 1980, motivado por ciúmes, Márcio Stancioli matou com 5 tiros sua mulher, Eloísa Ballestero. Algumas semanas depois, Maria Regina Santos Souza Rocha foi assassinada pelo mesmo motivo. Só naquele ano, os grandes veículos de comunicação noticiaram pelo menos 6 assassinatos de mulheres motivados por ciúmes possessivo de seus companheiros. Quatro anos antes, na noite anterior ao réveillon de 1976, a socialite mineira Ângela Diniz também tinha sido assassinada por Doca Street, que alega ter cometido o crime por amor. Nenhum dos assassinos cumpriu a pena por homicídio doloso. 

Quase quarenta anos depois, Minas Gerais lidera o ranking de casos de feminicídio no país, e o Brasil possui a quinta maior taxa do crime no mundo. Só no mês passado, no Sul de Minas, quatro mulheres foram assassinadas por feminicídio em menos de 10 dias, sendo 2 delas adolescentes. Além disso, no ano de 2017, foram registrados mais de 200 mil casos de violência doméstica no país, o que representa uma média de 606 mulheres agredidas por dia. No mesmo ano, em Belo Horizonte, foram 18.169 denúncias do crime.

Em setembro deste ano, um novo caso de agressão envolvendo um casal de namorados mineiros veio à tona. Melissa Gentz, de 22 anos, foi agredida pelo namorado Erick Bretz em Tampa, na Flórida, onde a belo-horizontina faz faculdade. Erick só ficou preso por 2 dias e foi solto após pagar uma fiança equivalente a R$ 242 mil. Ele teve seus documentos recolhidos e está proibido de deixar os Estados Unidos até responder por violência doméstica e intimidação da vítima. Durante uma gravação feita por Melissa em um momento da agressão, Erick a chama de burra e afirma que ela não aceita ser dominada por um homem: “…você acha que é o homem da relação, mas não é. Você é mulher, véi (sic), tem que aceitar isso”.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a taxa de feminicídio só aumenta no país. Entre 1980, época de mobilização social contra a violência contra a mulher, e 2013, mais de 100 mil mulheres morreram por conta de seu gênero. Também, no período entre 2003 e 2013 houve um aumento de 54% do registro desse crime contra mulheres negras, que são as que mais sofrem com o feminicídio, enquanto, para as mulheres brancas, a taxa diminui quase 10%.

É importante lembrar que o feminicídio, desde lei sancionada em 2015, é um agravante do crime de homicídio e é qualificado como crime hediondo. Para ser considerado como feminicídio, o assassinato precisa ter relação à casos de violência doméstica ou discriminação à condição de mulher. Também a Lei Maria da Penha, desde 2006, pune a violência doméstica.

Em caso de violência doméstica, ligue 180. A denúncia é anônima, gratuita e disponível 24 horas em todo o país.