Grande número de ônibus incendiados causa prejuízos à população de BH

Os meses de março e abril foram marcados por uma grande quantidade de ônibus incendiados na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Reunindo dados do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SETRA-BH) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (SINTRAM), até o momento, 18 coletivos foram incendiados até abril de 2018, uma média de 4,5 por mês. Desde o dia 12 de abril, houveram registros de sete contra o transporte público. Dessa forma, os prejuízos atingem significativamente tanto as empresas, quanto a população que depende do sistema.

Veículo da linha 617 incendiado (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

No último ano, bandidos atearam fogo em 39 ônibus, uma média de 3,25 mensalmente. O mês de dezembro foi considerado o período mais crítico, visto que uma onda de ataques assustou moradores da capital mineira. No período compreendido entre o dia 26 e 29 de dezembro, sete ônibus foram incendiados por criminosos.

Na maioria dos crimes cometidos, bilhetes reivindicando melhorias em penitenciárias da Grande BH foram encontrados, levantando a suspeita de influência provinda do interior dos presídios nos incêndios.

A estudante Clara Bacha, de 19 anos, acredita que o perigo cresce para quem necessita de utilizar o transporte público em horário não convencional, ou seja, períodos com pouca movimentação. “Eu pego o ônibus às 22h30min dentro da faculdade. Eu já tenho medo porque existem casos de assaltos dentro dos veículos, agora imagina te tirarem de dentro do ônibus e colocarem fogo no meio da avenida?”, afirma.

Segundo o SETRA-BH, cada incêndio implica na ausência da circulação do veículo por, aproximadamente, seis meses. Os procedimentos para a substituição de apenas um ônibus custam, em média, R$ 400.000, com variação dependente do modelo. Dessa forma, a população que necessita do transporte público sofre com a dificuldade de mobilidade e com a insegurança.

De acordo com a estudante, os prejuízos causados pelos incêndios atingem significativamente a mobilidade da população. “As linhas de ônibus já não atendem suficientemente aos moradores. Então, acho que, a medida em que a quantidade de ônibus vai diminuindo, se não houver reposição, só vai dificultar a locomoção das pessoas, que já é complicada”, completa.