Entenda a polêmica por trás do Estádio do Atlético

Ainda no mandato de Alexandre Kalil, foi iniciado o projeto de construção de uma nova casa para o Atlético – motivado pela privatização do Mineirão e pela gestão que vinha fazendo a Minas Arena, o que tornou o estádio desinteressante financeiramente para o clube.

O Atlético já havia construído um estádio próprio na sua história, mais precisamente em 1929. Mas, na década de 60, com a inauguração do Mineirão, o então Estádio do Galo deu lugar ao shopping Diamond Mall. Shopping, este, que hoje é administrado pela Multiplan, e será até 2026. Durante esse período, apenas 15% da renda bruta do Diamond é destinada ao Atlético. Só em 2016, o shopping rendeu R$ 9 milhões aos cofres do clube.

As divergências começam aqui: A Multiplan fez uma proposta de compra de 50,1% do shopping por 250 milhões de reais. Mas, a empresa também ganharia mais 4 anos para explorar financeiramente o Diamond, prorrogando o contrato de arrendamento de 2026 para 2030. Assim, o Atlético perderia 4 anos de exploração de 100% do lucro do shopping, e, para alguns, o valor pago estaria muito abaixo do seu valor real.

O Diamond Mall é avaliado em 800 milhões de reais, mas este valor seria referente ao ano de 2026. O conselheiro do Atlético Eduardo Gribel, em entrevista ao Globo Esporte, afirmou que hoje, 250 milhões seria um valor justo por metade do shopping. Mas, outros conselheiros discordam.

Fabiano Ferreira, conselheiro contrário ao projeto do estádio, gosta da ideia de uma casa nova para o Atlético, mas sem ter que se desfazer do maior patrimônio do clube. “Aparece lá um valor de 250 milhões, mas na verdade o shopping está levando mais 4 anos de prorrogação do arrendamento atual. Ele está pegando um shopping, praticamente, sem pagar nada”, afirmou Fabiano ao Globo Esporte.

Os 250 milhões do Diamond Mall seriam apenas uma parte do valor da construção, uma vez que o projeto está orçado em, aproximadamente, 410 milhões de reais. A MRV compraria o nome do estádio, “Arena MRV”, por 60 milhões, e doaria o terreno de construção do estádio, avaliado em 58 milhões – num ponto considerado o melhor de Belo Horizonte. A região, do Bairro Califórnia, é alimentada por vias de fácil acesso, e fica numa localização comum entre as regiões da grande BH, não ficando muito distante de nenhuma, como acontece hoje com o Mineirão, Independência e Arena do Jacaré. Os 100 milhões restantes, seriam arrecadados com a venda de aproximadamente 4.700 cadeiras cativas, no valor de, em média, 25 mil reais. Caso elas não sejam vendidas a tempo, o banco BMG adiantaria o valor ao Atlético.

(Foto: Reprodução/Internet)

O projeto também pretende voltar com a “Geral”, setor com preços populares que existia no Mineirão antes da reforma para a Copa do Mundo de 2014. Caso seja aprovado, o estádio contaria com empresas que ganhariam o direito de uso de áreas da Arena por 30 anos – como Ambev, BRF e Estapar – responsáveis pelas bebidas, alimentação e estacionamento.

Dos 401 conselheiros do clube, 390 têm condições de votar. Destes, 260 precisam votar a favor para o estádio ser aprovado. Uma pesquisa feita com os conselheiros, pelo torcedor Zeca Franco, aponta que o cenário é favorável à aprovação da construção. Depois de passar pelo conselho do Atlético, o projeto deve ser aprovado também na câmara municipal. O prazo de construção é de 24 a 28 meses, com a inauguração prevista para o início de 2020. A votação está marcada para o dia 18 de setembro.

Celso Lamounier

É estudante de Jornalismo e Relações Públicas. Idealizador do projeto e membro fundador, atua como repórter, editor e integra a diretoria executiva.