Em meio à crise econômica, sebos literários são opções para compra de livros a baixo custo.

Belo Horizonte possui cerca de 20 sebos com mais de 10.000 exemplares à venda.

Livraria antiga. Foto ilustrativa – Marcos Santos / USP Imagens

Não é novidade que o Brasil está mergulhado na maior crise financeira já ocorrida no país (IBGE). Dados do IBGE apontam que cerca de 13,5 milhões de brasileiros estavam desempregadas no primeiro trimestre de 2017. De acordo com pesquisa realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), diante da recessão, 80% dos brasileiros fizeram algum ajuste nos gastos. Outra pesquisa, realizada pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito, mostra que 39% dos entrevistados diminuem, de imediato, os gastos com lazer e cultura.

Como menos dinheiro para gastar e investir em itens de cultura, considerados supérfluos, algumas pessoas passam a frequentar espaços culturais alternativos que, embora já existam há bastante tempo, se tornam mais acessíveis neste momento, exatamente por serem mais viáveis financeiramente. É o caso do sebos literários.  Mas o que é um sebo? Vamos à resposta.

No interior, geralmente, se entende como sebo os restos dos animais abatidos, o que não é o caso do sebo em questão. O sebo literário significa uma loja que comercializa livros e, em alguns, especificamente, também são comercializados objetos relacionados à literatura, como quadros, itens de decorativos baseados em personagens dos livros de ficção, entre outras coisas.  Mas qual a diferença entre um sebo e uma livraria?

Foto ilustrativa – Mácio Ferreira. Ag. Pará

No geral, as livrarias vendem livros novos, vindos diretamente das editoras e possuem preços às vezes bem “salgados”. No caso dos sebos, os livros não são novos. Na maioria das vezes, o proprietário da loja compra as obras de pessoas que, por algum motivo, desejam se desapegar. Em outros casos, os proprietários compram acervos de bibliotecas que não estão mais em funcionamento.

Por comercializar livros que já foram utilizados, e por terem custo de aquisição bem abaixo se comparado ao preço tabelado pelas editoras, o custo de uma obra no sebo sai em média 30% mais barato que em uma livraria convencional (Para o calculo foram utilizadas amostras do portal Estante Virtual e do site de vendas Amazon). Mas, onde encontrar um sebo?

Já existem no mercado várias lojas on line que vendem para todo o Brasil, é o caso, por exemplo, do site de vendas Estante Virtual. Em Belo Horizonte não é difícil encontrar lojas físicas, são pelo menos 20 estabelecimentos com acervo acima de 10.000 exemplares à disposição. Somente no Edifício Maleta, que é um tradicional ponto de encontro entre amigos, boêmios e afins, se encontram cinco sebos que, inclusive, estão entre os mais tradicionais.

Um dos sebos no edifício Maleta, por exemplo, é a Livraria (sebo) Amadeu. De aparência simples, com fachada discreta, é avaliada pela leitora Adriana Franca como cinco estrelas. O Leitor Marcos Gomes também gosta muito da livraria e disse que o “atendimento é extremamente bom.”. Possui “um acervo razoável e preços módicos.”. Ele ainda comenta que indica a livraria “para quem gostaria de adquirir um livro ou que esteja procurando com um custo menor”.

A maioria dos sebos literários com sede na capital mineira estão concentrados na região central da cidade e, também, na região centro sul. Mas algumas lojas podem ser encontradas na região da Pampulha e em bairros como Carlos Prates e Padre Eustáquio, ambos na região noroeste da cidade.

Foto ilustrativa. Mácio Ferreira – Ag. Pará

Thomaz Albano

Thomaz Albano é estudante de Jornalismo e membro fundador do Roteiro Alternativo. Aqui no RA atua como repórter, editor e integra a diretoria executiva.