Documentário denuncia trabalho escravo

Já ouviu falar sobre as Cataratas do Iguaçu? Pois é, elas, que há cinco anos foram escolhidas como uma das Sete Maravilhas da Natureza, escondem uma tragédia humana relacionada a uma das bebidas mais consumidas pelos argentinos, o mate. O trabalho escravo para a produção da bebida nessa região é exposto no documentário “Me gusta el mate sin trabajo infantil” (“Gosto de mate sem trabalho infantil”). O filme é dirigido pelo argentino Martin Parlato, que é criador da companhia multimídia Posibl.

No século XVI, a erva-mate foi proibida no Brasil, pois era considerada pelos padres jesuítas como “erva do diabo”, contudo a bebida junto ao tango e a carne, virou símbolo dos argentinos no mundo. Porém, a maioria dos consumidores não imaginam que para produzir a bebida nacional da Argentina, 20 mil pessoas que moram em condições precárias na província de Misiones, incluindo crianças, são escravizadas. Região que é muito visitada por milhares de turistas, que têm como foco as  Cataratas.

Em um pouco mais de 30 minutos, a imagem da bebida é desconstruída. Porém, Porlato afirma em entrevista ao jornal O Globo que “não queremos boicotar o mate, queremos apenas que ele seja uma bebida livre de trabalho infantil”.  O documentário é direto, mostra como vivem essas famílias, em situações precárias. Para sobreviver, elas trabalham sem qualquer tipo de segurança, sendo obrigadas a levar os filhos. As crianças acabam usadas na cadeia de produção e, em consequência, deixam de estudar.

O documentário já foi prestigiado pelo Papa Francisco, que recebeu o diretor no Vaticano. O objetivo da Posibl agora é ampliar sua divulgação e obrigar as autoridades argentinas a adotarem medidas urgentes a favor dos trabalhadores de Misiones.

Conheça um pouco mais sobre o documentário e sobre a Posibl:

Trabalho escravo dentro do Brasil

Você se lembra também do caso ZARA aqui no Brasil? A loja que fabrica roupas masculinas e femininas, em 2011, foi flagrada tendo trabalho escravo em suas fábricas. 15 pessoas, incluindo uma adolescente de apenas 14 anos, foram libertadas de escravidão contemporânea de duas oficinas – uma localizada no Centro da capital paulista e outra na Zona Norte.

Até 2011, foram contabilizados 766 trabalhadores em situação de escravidão, dos quais 752 foram libertados. Os números se baseiam em informações de fiscalizações do Ministério Público do Trabalho que ainda não foram repassadas ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Já conforme dados da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo do Ministério do Trabalho, mais de 660 trabalhadores foram resgatados pelos grupos móveis de combate ao trabalho escravo em 2016, o que representa uma queda de 34% em comparação aos 1.010 trabalhadores libertados em 2015.

Até o inicio deste ano, o  Nordeste registrou o maior número de casos, identificados pela CPT, de trabalhadores em situação de exploração, com 31% do total. Em seguida vêm o Norte (27%), Sudeste (26%), Centro-Oeste (12%) e Sul (3%). Em relação aos trabalhadores libertados, o Sudeste lidera com 31%. Em seguida aparecem Nordeste (30%), Norte (19%), Centro-Oeste (15%) e o Sul (5%).

Dica RA

A realidade é bem mais dura do que o que os dados apontam, muitos são os casos obscuros de escravidão em todo o mundo. As ONGs trabalham para dar esperança de que um dia esse pesadelo vivido por milhares de pessoas acabem. Mas você também pode ajudar! Se você presenciou ou caso presencie um trabalho escravo denuncie ligando para o Ministério do Trabalho através do número 0800-610101.

 

Maria Eduarda Faria

É estudante de Jornalismo. É repórter e coordenadora de mídias sociais do Roteiro Alternativo.