De votos censitários à Diretas Já, conheça a história do voto no Brasil.

9 de maio é o último dia para que os brasileiros compareçam aos cartórios ou postos de atendimento para regularizar sua situação eleitoral. Os jovens que vão completar 18 anos até o dia 7 de outubro, data do 1º turno das eleições, são obrigados a comparecer e tirar o título. Ademais, aqueles que desejam trocar o local em que vão votar, registrar algum tipo de deficiência, ou no caso das pessoas trans,que desejam mudar o nome social, devem também comparecer até a data prevista.

Além disso, para as eleições deste ano, ainda há uma novidade: os eleitores podem usar um título digital. O E-Título, é uma aplicativo desenvolvido pela Justiça Eleitoral que poderá substituir o documento convencional na hora da identificação. Mas o voto no Brasil, passou por longos caminhos até chegar no molde que conhecemos hoje. Confira:

A história do voto no Brasil

O primeiro registro de voto é de 1532, quando os moradores da vila São Vicente, em São Paulo, elegeram de forma indireta integrantes para o Conselho Municipal. Como o Brasil era uma colonia portuguesa, as eleições foram orientadas pela legislação de Portugal. Em 1821, as pessoas deixaram de votar apenas em âmbito municipal e por ainda não ter leis nacionais, fizeram o uso da Constituição Espanhola. Podiam votar homens livres, incluindo analfabetos. Três anos depois, o Brasil se tornou independente de Portugal, tendo então a necessidade da elaboração da primeira legislação genuinamente brasileira. O voto era censitário, ou seja,dependia de fatores econômicos. Já o título de eleitor, só passou a existir a partir de 1881, por meio da Lei Saraiva. Na época, as fraudes eram comuns, até por que o título não possuía foto.

Após 1889, quando o Brasil deixou de ser uma Monarquia e tornou-se uma República, o voto continuou sendo um direito apenas para alguns. Menores de 21 anos, mulheres, analfabetos, mendigos, indígenas, integrantes do clero e soldados rasos,não votavam.

Prudente de Moraes foi o primeiro civil a ser eleito presidente de forma direta, ocupando o cargo de 15 de novembro de 1894 a 15 de novembro de 1898. A partir de então, instaurou-se a política do café-com-leite, na qual o governo era ocupado por representantes de São Paulo e Minas Gerais que alternavam entre si. Durante República Velha as eleições foram ilegítimas, repletas de fraudes e voto de cabresto.

Em 1932, foi instituída uma nova legislação eleitoral e as mulheres conquistaram o direito ao voto. Foi também no início da década de 30 que o voto passou a ser secreto, após a criação do Tribunal Superior Eleitoral e dos Tribunais Regionais Eleitorais. No final de 1937, após o golpe militar, Getúlio Vargas instituiu o Estado Novo, uma ditadura que se prolongou até 1945, isto é, oito anos sem os brasileiros votarem.

A fim de diminuir as fraudes,fotos passaram a ser exigidas no título eleitoral, em 1955.

O golpe militar de 1964 impediu o voto direto para presidente da República,governador, prefeito e senador. Somente deputados federais, estaduais e vereadores eram escolhidos pelo povo. Em 1968, foi decretado o Ato Institucional número 5, o AI-5, que deu plenos poderes ao governo. O Congresso foi fechado e diversos parlamentares tiveram seus direitos cassados.

Em 1984, milhares de pessoas foram às ruas exigir a volta das eleições diretas para presidente, em um movimento conhecido como Diretas Já. Um ano depois, Tancredo Neves foi eleito de forma indireta.Maiores de 16 anos podiam votar, assim como os analfabetos. Promulgada em 1988, a nova Constituição brasileira estabeleceu eleições diretas. Além do mais manteve o voto facultativo para analfabetos,jovens de 16 a 18 anos e idosos acima dos 70 anos.  Mas foi apenas em 1989 que o brasileiro escolheu Fernando Collor de Melo como presidente da República.

A década de 90 trouxe as urnas eletrônicas, que tornou o voto mais prático e seguro. Em 1996, elas foram utilizadas pela primeira vez nas eleições municipais e, em 2000 em todo o país.