Autismo, Dança e Educação: Poéticas da Autoralidade

Foto Divulgação

Muito debatido atualmente, o Autismo é uma patologia muitas vezes desconhecida pela sociedade. No geral, as pessoas conhecem aquilo que lhes é apresentado e tomam como verdade a visão de que o autismo é uma deficiência. Porém, diversos estudos mostram que o autismo não se trata de uma deficiência, mas, sim, de um transtorno intelectual.

A palavra autismo foi usada pela primeira vez para descrever uma patologia mental pelo médico austríaco Leo Kanner, em 1943. Mais tarde, o também médico Hans Asperger usou a palavra autismo para descrever uma série de comportamentos considerados anormais em seus pacientes e foi a partir daí que os estudos sobre o autismo e suas diversas vertentes surgiram pelo mundo.

No último Manual de Saúde Mental – DSM-5, que é um guia de classificação diagnóstica, o Autismo e todos os distúrbios, incluindo o transtorno autista, transtorno desintegrativo da infância, transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS) e Síndrome de Asperger, fundiram-se em um único diagnóstico chamado Transtornos do Espectro Autista – TEA.

O TEA é caracterizado como um distúrbio de desenvolvimento que, geralmente, leva a severos comprometimentos de comunicação social e comportamentos restritivos e repetitivos que, tipicamente, se iniciam nos primeiros anos de vida.

Autismo e educação

A questão de ter crianças autistas ou com qualquer transtorno intelectual em escolas formais sempre foi um tabu. “Foi um longo processo considerar que pessoas diferentes fossem educáveis. As pessoas consideradas autistas tinham uma entrada muito difícil na escola, às vezes faziam parte de alguma clínica- escola” afirma Mônica Rahman, professora da Faculdade de Educação da UFMG.

Nos últimos anos, o direito de pessoas portadoras de deficiência frequentarem escolas formais e desfrutarem dos mesmos direitos à educação do que crianças ditas “normais” tem sido uma questão muito reivindicada. De acordo com a professora Mônica, o problema principal referente ao tema se encontra na desconstrução que essas crianças trazem para o sistema normativo educacional.

Veja o vídeo abaixo e saiba um pouco mais sobre o assunto:

 

Autismo e a dança

Tão importante para o mundo artístico, a dança também entrou na pauta do debate mundial em relação ao vínculo de pessoas com transtorno intelectual e sua prática.

“Podemos pensar na dança, dentro das artes, como aquela que tem mais vínculo com a estética de corpo, com a estética de movimento, com mais códigos, com certos pré-requisitos. Isso foi o que mais me incomodou na dança e me motivou a iniciar o trabalho com pessoas ditas diferentes. Todos esses códigos da dança ao invés de se abrir pro mundo, ela se fecha num lugar dela mesma” afirma a Professora do curso de dança da UFMG, Anamaria Fernandes.

De acordo com a professora, criar essa discussão e essa possibilidade (de abrir a dança para o mundo e para todos), se trata de discutir as estruturas normatizantes da dança, criando assim um ambiente que seja democrático e não hierárquico e que acolha corpos e posturas gestuais diferentes.

Ela comenta ainda a importância de dar novas possibilidades de criação e de potencialização de pessoas autistas e ressalta a importância de se ter um novo olhar sobre as dificuldades “Você olhar para a pessoa pelos espaços de dificuldade dela, você não dá o espaço pra criação, de invenção, de transformação que essa pessoa possa proporcionar pra você e para o mundo” afirma.

Clique no vídeo abaixo e veja o que diz a professora:

 

Congresso

Nos dias 17, 18 e 19 de abril, a UFMG recebe o “Congresso Internacional Autismo, Dança e Educação: poéticas da autoralidade”, que vai reunir pesquisadores que investigam formas alternativas de trabalhar com crianças, jovens e adultos autistas, no campo da arte e da educação.

“O evento vem tentar somar nesse sentido de dar visibilidade pra (a) questão autista e chamar a atenção para o fato de que é preciso alargar esse social, para que essas pessoas também tenham uma vida com justiça, direito, equidade, que elas possam ser como elas são” comentou a vice-coordenadona do congresso, Mônica Rahme.

A principal preocupação das organizadoras é criar um ambiente de debates, de visibilidade e mais do que isso, de compartilhamento. “Você criar espaços de questionamentos, de compartilhamentos, ter esses momentos de debate, abre um leque muito maior do entendimento do que é o autismo” afirma Anamaria Fernandes, coordenadora do Congresso.

Serviço:

Congresso Internacional Autismo, Dança e Educação: Poéticas da Autoralidade.

Data: de 17 a 19.04.2017

Local: Centro de Atividades Didáticas (CAD 2) e Escola de Belas Artes (EBA) / Avenida Antônio Carlos, 6627 – Pampulha  e Cinema Belas Artes / Rua Gonçalves Dias, 1581 – Funcionários

facebook.com/congresso

Site do Congresso

Contato: congresso.autismodancaeducacao@gmail.com

 

 

 

Chiara Ribeiro

É estudante de Jornalismo. Atua no Roteiro Alternativo como cooperado de mídias sociais e repórter.