Contra o assédio no ambiente de trabalho jornalistas lançam movimento

O movimento Deixa Ela Trabalhar tem como objetivo lutar contra os diversos casos de assédio sexual e moral sofridos por elas nos estádios, nas ruas e nas redações. A iniciativa repercutiu pelas redes e foi um dos assuntos mais comentados no Twitter no dia de seu lançamento, além de ter recebido apoio de mais de 30 clubes de futebol, entre eles o Atlético-MG e Cruzeiro.

A ideia surgiu depois da divulgação de um caso de assédio sofrido pela jornalista Bruna Dealtry, do canal Esporte Interativo, que foi beijada por um torcedor durante uma transmissão ao vivo no dia 14 de Março. Três dias antes, a repórter Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha, foi insultada e agredida por um torcedor do Inter no estádio Beira-Rio. Outros casos de ofensas e agressões a mulheres jornalistas também foram mostrados no vídeo da campanha. Confira:

  Movimento “Jornalistas Contra o Assédio”

Em 2016, outro movimento, parecido com o Deixa Ela Trabalhar, repercutiu nas redes sociais ao lançar um vídeo com depoimentos de jornalistas que já sofreram assédio ao exercer a profissão. A campanha se estendeu pelas redes sociais e internautas utilizaram da hashtag #jornalistascontraoassédio para relatar casos sofridos por elas durante o trabalho.

A iniciativa foi motivada pelo caso da jornalista Giulia Pereira, de 21 anos, que denunciou o cantor Biel por assédio, depois de tê-la chamado de “gostosinha” e dito que a “quebraria no meio” durante uma entrevista. Apesar de o portal IG – veículo em que Giulia trabalhava -, ter dito que daria todo o apoio necessário à repórter, a profissional foi demitida 14 dias após o caso vir a público.

Pesquisa revela rotina de assédio sofrida por mulheres jornalistas

Uma pesquisa realizada entre junho e agosto de 2017 pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o site de jornalismo “Gênero e Número”, expôs números expressivos sobre machismo e assédios sofridos por mulheres jornalistas. O estudo contou com respostas de mais de 500 jornalistas de um universo de 271 veículos diferentes, além de ter obtido relatos a partir de conversas com 42 profissionais.

Apesar de uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina mostrar que as mulheres são mais de 60% dos profissionais de jornalismo no Brasil, cerca de dois terços das entrevistadas alegam que existem mais homens em cargos de poder do que mulheres. Além disso, mais da metade delas afirmam acreditar que as mulheres têm menos oportunidades de progredir na carreira do que os homens, e 64% assumiram já ter sofrido abuso de poder de chefes e informantes.

Das mulheres que responderam o questionário, 86% dizem já ter passado por alguma discriminação de gênero e a maior parte (70%) conta que já foi abordada por homens de modo incômodo durante o exercício da profissão. Quando se tratando de assédio sexual ou moral, mais de 90% das entrevistadas disseram já ter ouvido piadas machistas no ambiente de trabalho, e cerca de um terço delas dizem ter sido tocadas por colegas, superiores ou fontes.

Os indicadores também revelam que 77% das profissionais de jornalismo já vivenciaram uma situação desconfortável no ambiente de trabalho, como receber material de natureza sexual de colegas ou ouvir comentários pornográficos sobre mulheres. Além disso, mais de 80% delas já sofreram algum tipo de violência psicológica, entre elas insultos, humilhação em público e intimidação ou ameaças vindas de superiores, colegas, fontes e do público.

Acesse o estudo completo aqui.