Consumo de carne afeta o meio ambiente

Foto: Andre Frutuoso

A indústria da carne gera impactos negativos para o meio ambiente em diversas áreas. A pecuária contribui para a crise hídrica, para o desmatamento e aquecimento global. Diante disso, muitos brasileiros têm adotados alternativas mais sustentáveis para lidar com esse consumo, além do vegetarianismo ser uma tendência crescente.

Um quilo de carne gasta 15 mil litros de água, usados para cultivar os grãos que alimentam o gado, hidrata-lo e manter o pasto. A água utilizada no processo produtivo é vista como um consumo indireto, pois não percebemos a quantidade utilizada no resultado final. É diferente do desperdício durante o banho, por exemplo, onde o consumo é direto, nós podemos ver. Esse conceito é denominado água virtual, e a carne é um dos alimentos em que esse consumo é mais exorbitante. Estudos mostram que criar gado para o abate gasta 10 vezes mais água do que plantar cereais.

O desmatamento também é um problema gerado por essa indústria. A procura constante do mercado pela carne faz com que os criadores comprem mais terra para criar mais gado e aumentar a produção. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), 71% do desmatamento em países da América do Sul foi devido a expansão das pastagens.  Esse terreno não poderá ser usado para cultivo mais tarde, pois a criação do gado deixa resíduos, como urina e fezes, que contaminam o solo e o lençol freático.

A pecuária também contribui para o aquecimento global, pois animais como as vacas e os porcos eliminam, através do estrume e da flatulência, gás metano, que tem o efeito térmico até 23 vezes maior que do gás carbônico. A vaca elimina entre 100 e 200 litros de metano por dia, sendo um dos maiores responsáveis pela emissão de poluentes na atmosfera. A área desmatada também favorece o efeito estufa, uma vez que as árvores absorvem CO2 para fazer a fotossíntese.

Diante disso, movimentos como o “Segunda Sem Carne” surgem como alternativas sustentáveis. O Brasil é o país em que esse projeto obteve maior sucesso. Seu objetivo é diminuir o consumo de carne na semana, ao eliminar o alimento de (ao menos) um a cada sete dias.

A Sociedade Vegetariana Brasileira, em parceria com as Secretarias da Educação e de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, implantaram a “Segunda Sem Carne” na rede estadual de ensino, alcançando até 100 municípios paulistas até agosto de 2017. O cardápio conta com opções como feijoada vegetariana, com feijão preto, legumes, arroz e couve, e teve a aprovação dos alunos. Juntos, os programas pouparam duas mil toneladas de carne em 2017.

 

Por Catarina Ayres

 

 

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