Circo da Física, um projeto da PUC Minas que torna a Física uma disciplina extremamente atrativa

Alunos da universidade vão às escolas e apresentam, de forma prática, conteúdos da área da Física. São contempladas instituições de ensino fundamental e médio da grande BH.  

por Thomaz Albano

Um encontro sem formalidades, em que estudantes universitários apresentam seus experimentos aos alunos do ensino fundamental e médio de forma altamente interativa, visando facilitar o ensino/aprendizagem de conteúdos da área de Física.  Essa é a proposta do Circo da Física, um projeto do curso de Física da PUC Minas criado em 2003 e que, até os dias atuais, segue facilitando o aprendizado de jovens e adultos no que diz respeito aos conteúdos da área das ciências exatas.

Tudo começou quando professores do Departamento de Física da PUC Minas debatiam a proposta curricular do curso de licenciatura em Física oferecido na Universidade, que é responsável por formar dezenas de professores todos os anos. Diante de intenso debate, uma das questões centrais era: “como formar professores com capacidade de ensinar a Física aos estudantes do ensino fundamental e médio de forma mais leve e didática?” Diante disso surgiu o Circo da Física, que inicialmente fazia parte da proposta curricular do curso. Atualmente o Circo é um projeto de extensão, ou seja, participam dele universitários contratados como voluntários ou bolsistas. Os demais alunos do curso de Física da PUC Minas participam de forma esporádica.

O nome do projeto é extremamente lúdico e foi escolhido porque, assim como as trupes, o Circo da Física é itinerante e vai ao encontro do seu público, neste caso os estudantes das escolas da grande Belo Horizonte. Também participam pessoas que tenham interesse em aprimorar o conhecimento a respeito das ciências exatas.

O Circo da Física simula uma feira de ciências, o que atrai a atenção de estudantes do ensino fundamental e médio. Foto: Vânia Moura

Funciona da seguinte forma: os extensionistas montam experimentos, por meio dos quais é possível vivenciar, de forma prática, as teorias da Física. São verdadeiros laboratórios, mas com uma diferença expressiva – os experimentos são confeccionados com materiais simples, de baixo custo e, na maioria das vezes, artesanais. Após montar e validar tecnicamente os experimentos, os universitários vão para as escolas mostrar aos estudantes não só o produto criado, mas os conceitos fundadores da proposta, bem como a aplicação da teoria na prática. “É uma verdadeira festa”, conta a professora Vânia Moura, que há cerca de 10 anos está na coordenação do Circo.  Segundo ela, é impossível descrever o impacto do projeto tanto para o público que participa, quanto para os estudantes universitários que elaboram as apresentações. “Lá, quando estão em campo, os alunos da PUC aprendem a serem professores na prática, eles são colocados em situações semelhantes às que eles vão encontrar quando foram professores. O impacto disso é imenso”, relata.

Gabriel de Souza é um dos nove universitários que compõe a equipe do projeto. Cursando o oitavo período do curso de Física, ele vê a iniciativa como uma oportunidade de se preparar para as situações mais adversas que podem ocorrer nas salas de aula. Outro integrante do projeto, João Raimundo, que atualmente cursa o sétimo período de Física, afirma que além das questões relacionadas no preparo emocional para atuarem como professores, o projeto estimula o desenvolvimento de alternativas para que eles possam ser menos dependentes da estrutura disponíveis nas escolas, aprimorando a qualidade do ensino. “Têm escolas que não possuem laboratórios, algo comum nas redes públicas, mas quem passa pelo Circo aprende a construir os equipamentos e podem produzi-los sem a necessidade de muito investimento, isso pode contribuir para a melhoria do ensino/aprendizagem,” ressalta.

Foto: Vânia Moura

Além de benefícios para a formação dos universitários, o projeto contribui com a formação dos alunos matriculados nas escolas visitadas. Isso ocorre, pois, por meio dos experimentos práticos, segundo pesquisa já mencionada nesta série de reportagens, a aprendizagem é facilitada e a escola pode vir a se tornar mais atrativa. De acordo com a professora Vânia, é comum ver alunos do ensino fundamental e médio relatar a importância do projeto para a formação deles.

Assim como nas escolas, os produtos do circo da Física são apresentados em feiras de ciências. Em média são seis exposições por semestre, atingindo um público de cerca de 3.400 pessoas por ano. Segundo a professora Vânia, nos próximos meses há a possibilidade de o Circo da Física ser levado, também, para os espaços públicos da grande Belo Horizonte. Assim, toda a população que tiver interesse poderá acessar os conteúdos de física de forma prazerosa, com um viés cultural. “Brumadinho é uma das cidades que já está na nossa proposta de roteiro”, revela.

Veja também: Das salas de aulas para as telas – alunos da PUC Minas produzem vídeos retratando conteúdos aprendidos nas disciplinas de Física

Roteiro Alternativo

Thomaz Albano especial para o R.A.