Campanha de vacinação contra gripe começa dia 23 de abril

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, programa do Ministério da Saúde que visa diminuir os impactos da gripe, começa no dia 23 de abril e termina no dia 1 de junho. O Dia D, data mais importante para a mobilização social, está marcado para dia 12 de maio. A intenção inicial era que a campanha começasse uma semana antes, mas devido ao atraso de entrega das vacinas pelo Instituto Butantan, os trabalhos foram adiados. De qualquer maneira, o ministério afirma que o adiamento não resultará em problemas, visto que a época de maior contágio é durante o inverno.

A vacina deste ano tem como objetivo combater os vírus H1N1, H3N2 e o influenza tipo B Yamagata. Os subtipos de vírus da gripe incluídos na vacina mudam todos os anos devido às suas frequentes mutações, e por isso é importante que a população tome a vacina todo ano. A Organização Mundial da Saúde é quem define a composição da vacina, de acordo com as análises dos centros de vigilância de cada país. No Brasil, os centros de vigilância são  o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, o Instituto Evandro Chagas, em Belém do Pará, e a Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro.

Estados Unidos registra mais de 47 mil casos de gripe por H3N2

Nos Estados Unidos, mais de 4 mil pessoas morreram por doenças relacionadas a gripe somente janeiro deste ano, sendo destas 133 crianças. Dentre os vírus causadores da gripe, nesta estação, se destacou a doença do tipo influenza H3N2, também conhecida como influenza tipo A/H3 sazonal, que é um subtipo do vírus que causa a gripe. Já foram registrados mais de 47 mil casos nos Estados Unidos, o que provocou a pior temporada de gripe no país norte-americano desde 2009.

O vírus H3N2 se tornou uma preocupação pois possui um alto índice de mutação, ou seja, ele é capaz de se modificar rapidamente. Para se ter uma ideia, a resistência deste vírus à drogas antivirais, que compõe a vacina, aumentou de 1% em 1994 para 91% em 2015. Apesar disto, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) mantém a orientação de se tomar a vacina, além de outras prevenções à doença.  

Belo Horizonte registra alto número de casos de gripe H3N2

O Balanço da Secretaria de Estado de Saúde (SES), divulgado no dia 23 de março, indicou oito casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo vírus H3N2, o mesmo que se espalhou nos Estados Unidos. A capital, até então, possui o maior índice de casos: dos oito, quatro foram registrados em Belo Horizonte. As ocorrências de Srag estão sendo registradas desde o início do ano, e até dia 10 do mês de março já haviam sido feitas 211 notificações no estado.

Só no ano passado, Minas Gerais registrou 300 casos de Srag provocados pelo vírus influenza, o que causou 50 mortes. O tipo H3N2 foi o mais identificado, mas em números menores que 2016. Neste ano, foram registrados mais de mil casos, os quais sucederam em 291 mortes. A meta neste ano, é vacinar mais de 5 milhões de pessoas no estado, a fim de se evitar o crescimento dos números de casos.

Diferença entre gripe e resfriado

É muito comum que se confunda gripe com resfriado, o qual não possui vacina. A principal diferença é que a gripe é causada pelos vírus tipo influenza, enquanto o resfriado está normalmente associado aos vírus tipo rinovírus, parainfluenza ou vírus sincicial respiratório (RSV). Os sintomas são parecidos, mas normalmente o resfriado é mais brando, acometendo o paciente por dois a quatro dias.

A gripe costuma possuir sintomas mais graves, como febre alta, dores de cabeça e musculares intensas, fadiga extrema, dor de garganta e tosse, forte congestão nasal e calafrios. Alguns casos podem causar complicações que necessitam de internação hospitalar, podendo levar à óbito.

Como se prevenir do vírus influenza

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a gripe mata mais de 650 mil pessoas no mundo todos os anos. Os períodos com maior ocorrência de contágio são no outono e inverno, que configuram os meses de abril até agosto. As vacinas estarão disponíveis gratuitamente nos postos de saúde de todo o país para o público alvo. A escolha desse público é baseada no fato de eles serem mais vulneráveis aos sintomas ou possuírem maior chance de contágio e transmissão. Entre as pessoas que devem ser vacinadas durante a campanha estão:

  • Crianças de 6 meses a 5 anos
  • Mulheres que deram a luz nos últimos 45 dias
  • Gestantes
  • Professores da rede pública e particular
  • Profissionais de saúde
  • Portadores de doenças crônicas, como asma e diabetes
  • Indivíduos imunossuprimidos, como pacientes que fazem quimio ou radioterapia.
  • Portadores de trissomias, como a síndrome de Down
  • População indígena
  • Pessoas privadas de liberdade
  • Funcionários do sistema prisional

Caso você não faça parte do grupo prioritário, pode tomar a vacina em clínicas particulares, onde o preço varia de 100 a 200 reais. Além da vacina, outras prevenções são recomendadas pelos profissionais de saúde. O RA reuniu as principais dicas para se evitar o contágio das influenzas:

  • Lave sempre as mãos com água e sabão
  • Comece a passar álcool em gel nas mãos
  • Evite locais com pouca circulação de ar
  • Descarte sempre os lenços de papel usados
  • Use a parte interna dos braços para tampar o rosto quando for tossir ou espirrar
  • Evite compartilhar objetos de uso pessoal com outras pessoas
  • Nunca se automedique
  • As crianças com menos de 6 meses que não receberam a vacina não devem ser expostas à locais movimentados
  • Procure um médico diante de qualquer sintoma