Caco Barcelos – o jornalismo a serviço do outro

“A verdade está na rua”. Quem disse essa frase foi o jornalista Caco Barcelos em entrevista concedida ao jornal El País. Caco, como é conhecido, falou à repórter Camila Moraes sobre a sua relação com a profissão que ele tanto ama e respondeu perguntas relacionadas à literatura, mídias sociais e o papel do jornalismo na sociedade.

Segundo Caco, o jornalista/repórter tem o dever de ser preciso e deve sempre ficar atento às questões da sociedade, pois, muitas vezes, é através do que escreve o repórter que a história vai ser contada. “Essa matança que a polícia militar provoca no cotidiano das grandes cidades brasileiras – isso é muito mal reportado pela mídia no seu conjunto. Quem sabe, lá no futuro, o historiador não passe em branco por esse momento da história. Não vai poder dizer “olha, os negros pobres do estado mais rico da federação estão sendo eliminados com a frequência de três por dia, um a cada oito horas”. Se o repórter não fizer esse registro preciso e contundente, a cadeia toda pode falhar” disse.

Foto: Reprodução/Trip

Também escritor e com olhar apurado, Caco diz ‘mergulhar’ nas pessoas que estão envolvidas na história que ele esta contando. Foi assim em seu livro “Abusado – O Dono do Morro Santa Marta”. O jornalista diz dar o protagonismo ao outro e não a si mesmo e sugere, na entrevista, que este é um dos princípios da reportagem, ou seja, dar voz e espaço ao outro.

Em relação às mídias sociais, uma ferramenta que tem possibilitado que muitas pessoas tenham voz ativa na sociedade, Caco afirma que este é um espaço incrível, principalmente para quem deseja ter seu próprio jornal, site ou blog. Todavia, ele ressalta o cuidado que se deve ter em relação a estes meios e afirma “o que está na rede social já foi feito. Alguém já escreveu. É legal a gente saber disso, mas a verdade está na rua.” Com essa afirmação, o jornalista leva ao entendimento de que a apuração, o alicerce central do jornalismo, não pode nem deve ser ignorada, ou seja, o jornalista tem que sair da zona de conforto e ir em busca da “verdade”.

Durante toda a entrevista, Caco fala, mesmo de forma indireta, sobre o cuidado que o jornalista deve ter para com o outro e sobre a busca incessante pela justiça social. Ele comenta, ainda, sobre a sua independência no jornalismo e atribui o espaço que conquistou ao ativismo “Minha independência é hiper-respeitada. talvez seja porque eu sou muito ativo. Não espero que o dono diga você tem que fazer isso ou aquilo”. Quando pressionado a fazer algo que não concorda ele afirma não ceder. Talvez as atitudes de Caco sejam a síntese do bom fazer jornalístico.

Thomaz Albano

Thomaz Albano é estudante de Jornalismo e membro fundador do Roteiro Alternativo. Aqui no RA atua como repórter, editor e integra a diretoria executiva.