Brasil pode prejudicar projeção internacional ao cortar verba da ONU

Os  102 milhões de reais remanejados pelo Governo Federal para a Polícia Federal retomar a emissão de passaportes foram retirados da contribuição do Brasil à Organizações da Nações Unidas, ONU. Hoje, o Brasil é o segundo maior devedor à ONU (R$ 900 milhões), perdendo apenas para os Estados Unidos, que atrasou os repasses após a posse de Donald Trump.

O não pagamento das dívidas deixa o Brasil fora de importantes votações no cenário sociopolítico mundial, como no Tribunal Penal Internacional (TPI). A contribuição dos países-membros serve para bancar o funcionamento da ONU e suas diversas atividades pelo mundo. O valor enviado depende da riqueza e do desenvolvimento de cada país.

BBC conversou com Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que ponderou sobre o remanejo. “O uso de dinheiro que seria enviado às Nações Unidas para emissão de passaportes não é muito significativo se for um fato isolado, mas pode sinalizar uma tendência preocupante”.

Para Oliver, isso gera uma imagem negativa do país e enfraquece a projeção brasileira internacional. “Isso envia um sinal claro para a ONU de que existe a possibilidade de, mais tarde, mais dinheiro que deveria ir para a entidade ser utilizado para outros assuntos internos”.

Polícia Federal recebe verba para normalizar emissão de passaporte Foto: Toninho Tavares/ Agência Brasilia

Alexa Simon

É estudante de Jornalismo. No Roteiro Alternativo é responsável pela produção de conteúdo e manutenção do site.