Andrea Neves e a “mordaça” da mídia mineira

Foto: reprodução internet – Andrea Neves após ser presa

Não é raro encontrar pelas vias da capital mineira profissionais da imprensa que estão comemorando a prisão de Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves. Nos corredores das faculdades de comunicação o tema é a pauta da vez. Bem conhecida pelos profissionais da imprensa, Andrea, que é formada em Jornalismo pela PUC RJ, atuava nos bastidores com o objetivo de proteger a imagem do irmão utilizando de estratégias contestáveis.

Andrea é responsável pela demissão de diversos profissionais que se propuseram a desenvolver pautas que tinham potencial para mostrar qualquer tipo de denúncia contra Aécio Neves.

De acordo com o blog do jornalista Lucas Figueiredo, “em seu plantão permanente para blindar o irmão, Andrea vigiava desde uma pequena rádio do interior até o Google. Para isso, construiu uma musculosa estrutura de comunicação/imagem/imprensa que chefiava com rigor marcial”.


Confira também – O vídeo-documentário “Liberdade, essa palavra”

O vídeo aborda a relação de Aécio Neves com a imprensa no seu primeiro mandato como governador de Minas Gerais (2003/2006). Foi feito como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da UFMG por Marcelo Baêta e apresentado em banca em junho de 2006.


Ainda segundo o jornalista, em Minas, “até as palmeiras imperiais da Praça da Liberdade sabiam que era um risco para os jornalistas desagradar a família Neves. A lista de repórteres e editores demitidos ou perseguidos é grande, e o clima de terror, verdade seja dita, acabou por produzir uma nefasta cultura de autocensura entre os profissionais mineiros. A blindagem comandada por Andrea era tão eficaz que a própria Andrea raríssimamente era notícia”.

Como era feito o controle

De acordo com Lucas Figueiredo, Andrea “Fazia marcação cerrada em contato direto com os donos e com diretores de TVs, jornais e rádios conseguindo assim barrar reportagens já escritas, derrubar pautas e criar dificuldades para repórteres que se punham em seu caminho. Não é que Andrea conseguisse apenas evitar a publicação de denúncias relativas ao irmão, ela não deixava que ele fosse sequer levemente criticado”.

Segundo os críticos de Andrea, ela utilizava do poder de influência de seu nome ameaçando cortar os anúncios vindos dos setores do governo. A mídia, em sua maioria, depende diretamente da publicidade governamental para se sustentar financeiramente. A retirada de anúncios vindos do governo tem potencial para levar muitos veículos de comunicação à falência. Cientes dessa possibilidade, os veículos de imprensa, por muitos anos, foram censurados em Minas Gerais.

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