A experiência de morar em uma república universitária

Desvendando as repúblicas estudantis

As repúblicas são a única opção de moradia para muitos dos universitários que mudam de cidade para estudar. Nas moradias estudantis, colegas de diversas localidades dividem as despesas, as experiências e o novo mundo trazido pela graduação. Para a maioria, é a primeira vez que irão morar sozinhos, longe da família e em uma cidade diferente. Além disso, terão que lidar com a pesada rotina de estudos e trabalho que as universidades exigem.

Para se preparar para essa nova etapa, é ideal estar bem informado quanto às características das repúblicas e seu funcionamento. Por isso, entrevistamos moradores e ex-moradores que, por meio de suas experiências, respondem as principais perguntas de quem pretende embarcar nessa aventura. Eles mostram que a experiência de dividir a casa com outros é o maior desafio, mas também o maior atrativo das repúblicas.

Por que morar em uma república?

O principal objetivo dos universitários que alugam apartamentos, casas ou quitinetes para dividir com outras pessoas é economizar nas despesas diárias e aluguel. As repúblicas, onde se divide tanto o aluguel quanto as despesas da moradia, são a opção mais popular. A divisão das despesas e a companhia, além da liberdade pessoal, são seus maiores atrativos.

Calouros de universidade mineira. Arquivo R.A.

“Eu detesto ter que ficar sozinha, gosto de ter pessoas por perto. Meus pais também se preocupam menos, já que estão longe. Se um dia eu precisar de algo, terei alguém por perto para me ajudar.” – Maria Eduarda Faria, estudante de jornalismo. Morou  em repúblicas nas cidades de Juiz de Fora e atualmente reside em Belo Horizonte.


Como escolher a república certa?

É comum achar diversas ofertas de repúblicas espalhadas pelas universidades. No entanto, deve-se levar em conta a proximidade com a faculdade, pois representa economia de tempo e dinheiro.
Além disso, algumas repúblicas são exclusivamente femininas ou masculinas, enquanto outras são mistas. Por último, observe a quantidade de pessoas por quarto, uma vez que ter um espaço individual é fundamental para algumas pessoas.

“Faça uma lista das vagas que você mais gostou, levando em conta a estrutura da república quanto a rotina dos moradores. Visite todas antes de tomar uma decisão. Lembre-se de que esse novo lugar será a sua casa nessa fase da vida. Então escolha com carinho.” – Camila Ferreira estudante de Relações Públicas. Mora em uma república com quatro pessoas.


Desconhecidos ou futuros amigos?

Um dos maiores problemas e ao mesmo tempo o maior atrativo das repúblicas é a experiência de dividir a casa com outras pessoas. Esta relação pode ser um grande ensinamento. Se a convivência for difícil, sempre haverá outras opções de moradia.
“Tive muita dificuldade porque dividia o quarto com uma menina que era muito bagunceira. Eu brigava todos os dias. Ela chegava muito tarde e acendia a luz, e sempre me acordava. A única solução foi sair da república e alugar um apartamento.” – Lilian Carvalho, publicitária, Morou em duas repúblicas.


Como superar a falta dos pais?

Morar longe dos pais pode ser difícil. Para aliviar a saudade, pode-se fazer visitas nos fins de semana. Amigos e hobbies também podem suprir essa falta. Logo, passa-se a valoriza a independência adquirida.

“Eu ia para a minha cidade todo final de semana, até que me adaptei e diminuí a frequência. Hoje eu consigo e prefiro morar longe dos meus pais por já ter minha rotina e meu próprio jeito de fazer as coisas.” – Camila Ferreria estudante de Relações Públicas. Mora em uma república com quatro pessoas.


Como cuidar das tarefas e contas?

Quando saímos de casa, descobrimos que as coisas não se arrumam sozinhas. Se você ou seus amigos não cuidarem da casa, ninguém mais irá fazer por vocês. Cronogramas de organização e divisão de tarefas são indicados. Quanto às contas, normalmente são divididas entre os moradores da casa. Geralmente, aqueles que desfrutam de privilégios, como quarto individual ou suíte, costumam pagar mais que os outros.

“Toda semana uma moradora era responsável pela limpeza das áreas comuns e cada uma arrumava seu quarto e limpava os utensílios que utilizava na cozinha. As contas como água, luz, gás, internet e despesas de materiais de limpeza eram divididas por igual” – Lívia Martins, estudante de Arquitetura e Urbanismo
Morou em repúblicas em São João del Rei de 2010 a 2013 e em Alicante, Espanha, de 2013 a 2014.


Como fugir do macarrão instantâneo?

As refeições diárias são um dos grandes problemas para quem mora sozinho, e o custo de comer em restaurantes todos os dias pode ser insustentável.
Algumas universidades oferecem refeitórios, que normalmente servem comida de qualidade a um preço acessível. Cozinhar em casa também é uma boa alternativa, mas desde que seja bem combinada entre os moradores da república.

“Cada um faz a sua refeição, mas às vezes decidimos fazer um jantar ou um almoço em conjunto. Até porque são gostos muito diferentes. Eu, por exemplo, sou muito chata com comida, não como quase nada, então complicaria um pouco dividir os alimentos” – Maria Eduarda Faria, estudante de jornalismo. Morou  em repúblicas nas cidades de Juiz de Fora e atualmente reside em Belo Horizonte.


E se não der certo, o que fazer?

É natural que ocorram pequenos conflitos que podem ser resolvidos com uma conversa. No entanto, sugere-se que o incomodado não fique à espera de que os outros se manifestem. Ele próprio pode buscar uma solução para o que lhe desagrada. Caso os conflitos ultrapassem esses limites, procure outra república.

“Tive problemas com a limpeza dos ambientes em comum e de vasilhas da cozinha. Mesmo com diálogo, eles não foram solucionados por completo, apenas minimizados. Então acabei optando por sair da casa. Na segunda república, o único problema era a limpeza da geladeira. Como eu estava incomodada e ninguém fazia nada, realizei a limpeza e depois disso todos mantiveram a geladeira sempre limpa, não havendo mais nenhum problema.” – Lívia Martins,estudante de Arquitetura e Urbanismo Morou em repúblicas em São João del Rei de 2010 a 2013 e em Alicante, Espanha, de 2013 a 2014.


Como lidar com tantas festas?

As repúblicas são conhecidas por serem cenário de muitas festas. Mas é importante saber dosar a diversão com os momentos de estudo e a liberdade de outras pessoas, sejam moradores da república ou não.

“Resenha” em república no Coração Eucarístico BH

“Atualmente eu moro em um prédio em que a maioria dos vizinhos são mais velhos e têm famílias. Então, sempre tivemos o respeito de não fazer festas ou muito barulho durante a madrugada. Mas havendo bom senso, nada é proibido. Já fizemos encontros de amigos, mas nunca festas com música alta ou coisas do tipo.” – Maria Eduarda Faria, estudante de jornalismo. Morou  em repúblicas nas cidades de Juiz de Fora e atualmente reside em Belo Horizonte.


Vale a pena?

Apesar de todos os problemas que podem surgir, morar em uma república é uma experiência que se leva por toda a vida. Os colegas de casa serão sempre lembrados, já que o tempo de convivência durante um curso superior é grande. E mesmo que desta relação não nasça uma grande amizade, a experiência de independência já irá valer a pena.

“É uma experiência única. Ótima para aprender a lidar com as pessoas, a ser organizado, a lidar com responsabilidades, contas, a mexer com dinheiro dos outros, preparar sua alimentação e formar grandes amizades. Até hoje tenho contato com as pessoas com quem morei. Nós marcamos encontros, viajamos juntas e sempre conversamos. Acredito que a dica seja o diálogo constante, e caso esteja incomodado com alguma coisa da casa, se manifeste.” – Lívia Martins, estudante de Arquitetura e Urbanismo Morou em repúblicas em São João del Rei de 2010 a 2013 e em Alicante, Espanha, de 2013 a 2014.


Especial para o Roteiro Alternativo – repórteres:

Bárbara Vieira
Damaris Tomaz
Gabriel Chaves
Leonardo Vieira
Vivian Leite
Izabella Gamaliel

Editor -Thomaz Albano

Roteiro Alternativo

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