84% dos brasileiros são a favor da discussão de gênero nas escolas

Muitos movimentos atuais são contrários a discussão sobre as questões de igualdade de gênero nas escolas, mas segundo pesquisas realizadas pelo IBOPE, isso não reflete a opinião da maioria da população. O estudo revela que 84% das pessoas, de 143 municípios brasileiros são favoráveis ao debate. Além disso, uma parcela de 72% dizem que as questões de orientação sexual devem ser levadas para dentro das salas de aula

Considerando os recortes de idade e religião, os resultados são surpreendentes. Entre os jovens, 88% é a favor e 66% dos idosos também. 77% dos católicos se manifestaram positivamente em relação às discussões, enquanto 59% dos evangélicos concordam.

Pensando nessa perspectiva, o OLGA, projeto feminista criado em abril de 2013, lista algumas atitudes que os profissionais da educação podem adotar para levar essas questões para os alunos.

1. A desigualdade de gênero deve pautar debates em sala
O essencial é encorajar a conversa sobre o tema sempre que possível. Se o assunto é tratado em sala de aula, cria-se espaço para debate e reflexão. Acredito que também seja importante mostrar que os alunos podem ter voz e se sentirem confortáveis para fazer perguntas e aprender.

2. Explique o que é o feminismo
Contexto é sempre uma saída interessante para motivar o debate. Por exemplo, dedicar uma aula de História para aprender a origem do Dia da Mulher, entender o papel e o tratamento dado às mulheres em diferentes países. Isso torna a inclusão do tema mais natural, mais palatável.

Foto: Reprodução/Correio Lageano

3. Desmistifique estereótipos e preconceitos
Mitos como o de que os meninos são melhores em Matemática do que as meninas, por exemplo, ainda persistem na formação dos jovens. Por isso, é essencial valorizar a presença e o desempenho femininos na sala de aula, encorajar garotas a participarem de Olimpíadas, torneios ou de grupos de estudo focado. É algo que definitivamente deve ser trabalhado a longo prazo para também transformar a autoestima das garotas.

4. Alunas vítimas de assédio precisam de acolhimento
É essencial que a escola tenha um grupo de conselheiros e assistentes que possam apoiar a garota nesse tipo de situação tão delicada. É também importante que ela não tenha medo e sinta confiança em pedir ajuda a uma autoridade escolar para explicar o que está acontecendo. As redes sociais se tornaram um espaço para denúncias de abuso e má conduta escolar, mas também pode significar exposição da aluna, o que certamente é muito delicado.

Alexa Simon

É estudante de Jornalismo. No Roteiro Alternativo é responsável pela produção de conteúdo e manutenção do site.