22ª edição da Parada LGBT de BH bate recorde de público e colore centro da cidade

(Foto: Érika Giovannini)

A 22ª edição da Parada LGBT de Belo Horizonte bateu recorde e reuniu cerca 250 mil pessoas, segundo o Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos MG). O evento aconteceu no dia 14 de julho e contou com belo-horizontinos ocupando a Praça da Estação para celebrar e reafirmar a diversidade de gênero e orientação sexual. Durante o dia houveram apresentações de artistas como Nega Jackie, Penelope Fontana, DJ Mallu Oficial, Wandera Jones, Nayla Brizard e outros.

Bandeiras coloridas, fantasias e muito brilho tomaram conta da festa. O tema deste ano foi “Não aos retrocessos. Revivendo Stonewall”, relembrando os 50 anos do enfrentamento de membros da comunidade LGBT à ação repressora e discriminatória da polícia no bar Stonewall, em Nova York.

O prefeito da BH Alexandre Kalil esteve presente no palco do ato e finalizou seu discurso destacando três expressões importantes para aquele dia: “não sei”, dizendo que isso é libertador; “eu te amo” frisando o quanto isso é importante e “f… todos os que pensam o contrário”, como discurso de repúdio aos preconceituosos. Após as apresentações artísticas no palco estruturado na Praça da Estação, o cortejo, com trio elétrico, subiu até a praça Raul Soares com muita música e gritos contra o atual presidente Jair Bolsonaro.

A jornalista Natália Prado, 29 anos, afirma que a parada LGBT é um manifesto político. “Você estar aqui reafirmando seu orgulho de ser gay ou apoiando a causa, como eu estou, é uma forma de resistência, de dizer ‘olha a gente não vai sentir vergonha de quem a gente é e está tudo bem’, a diversidade é uma coisa legal, que existe e tem que ser respeitada”, afirma.

Apesar de ser a primeira vez de Natália na Parada de Belo Horizonte, a jornalista teve experiências fora do país e percebe as diferenças. Esteve na parada da Espanha e destaca como lá há presença de famílias e a diversidade é muito maior. “As pessoas estão fantasiadas como aqui, mas têm crianças do lado. São públicos muito diferentes e mostram que não há problema de uma criança ver tudo isso, é normal. Deveria ser assim aqui também, acostumar os pequenos para saberem que existe diversidade sabe?”

Natália não pertence a comunidade LGBT, mas acha fundamental marcar presença no evento e apoiar a luta. (Foto: Érika Giovannini)

Nina Gabriela Dangelo, 22 anos, estudante de direito, também destaca a presença na parada LGBT como um ato político que reforça a existência da comunidade. “Estando aqui a gente mostra que não vamos parar de existir e que os nossos direitos são reais. Apesar deles não serem uma coisa dada, a gente luta por todos eles.” Nina já participou da parada em Dublin, na Irlanda e São Diego, nos Estados Unidos, e afirma que nesses locais não saia com medo de agressão ou assédio por expressar os símbolos e bandeiras do movimento, ao contrário do que ela sente no aqui.

Nina em sua primeira parada LGBT no Brasil. (Foto: Érika Giovannini )

Ainda que precise haver muito progresso nas políticas LGBT do Brasil e nos eventos apoiadores do movimento, não há como não reconhecer os avanços como a criminalização da homofobia por meio da decisão do STF em enquadrar homofobia e transfobia na lei de crime racial, enquanto não há legislação especifica para o tema.

Ana Carolina Gonçalves Pinto, 28 anos, trabalha com comercio industrial e destaca mais um ponto positivo da Parada. Segundo ela, “é a primeira vez que eu vejo uma concentração lesbi. Geralmente eu vejo mais misturado ou mais dominado pela comunidade gay em geral.”

Jader Lima dias, 22 anos, estudante de direito acrescenta: “Esse momento pra nós é mágico. A gente se liga a outras pessoas que são iguais a gente ou até a outras pessoas que não são iguais, tipo os héteros mas que estão aqui com a gente e que tem respeito. ”

O evento, contou ainda, com apoio da Policia Militar e serviços municipais em tendas de atendimentos público disponíveis para orientações nas áreas da assistência social, cidadania e saúde.

Uma das tendas presentes contou com representantes da secretaria municipal de saúde, juntamente ao programa BH de mãos dadas contra a AIDS, o projeto horizontes que trabalha com homens gays bissexuais e a ONG Doutra Forma que trabalha com travestis e transexuais.

Foram distribuídos preservativos, gels e folders falando da prevenção combinada, além de orientação e assistência a quem precisasse. Priscila Franco, coordenadora do programa de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde explica que a prevenção combinada é composta por várias formas de precaução para HIV e IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis) cujo intuito não é focar apenas no uso do preservativo, mas na combinação de outras metodologias de prevenção. Alguns exemplos são a profilaxia pós exposição sexual (PEP) que consiste no uso de medicamentos anti-HIV logo após potenciais exposições de risco; a profilaxia pré disposição sexual (PREP) que consiste na utilização diária de medicamentos antirretorviais (ARVs) por pessoas não infectadas pelo HIV, para reduzir o risco de infecção pelo vírus da AIS por meios de relações sexuais; a redução de danos, a testagem e outros. Mais informações estão disponíveis no site da Prefeitura de Belo Horizonte.